O Tribunal do Júri de Brasília condenou, nesta terça-feira (14), Antônio Ailton da Silva, de 43 anos e ex-pastor, a 29 anos de prisão pelo feminicídio da motorista de aplicativo Ana Rosa Brandão, de 49 anos. O crime ocorreu em fevereiro de 2025, no bairro Cruzeiro Velho, no Distrito Federal.
Reclassificação do crime
Inicialmente, a morte de Ana Rosa foi registrada como latrocínio (roubo seguido de morte). No entanto, após investigações da Polícia Civil, o caso foi reclassificado para feminicídio. Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Antônio confessou em depoimento que escolheu a vítima por ser mulher, em razão de sua suposta fragilidade.
Um dia antes do assassinato, em 25 de fevereiro, Antônio já havia agredido e enforcado sua ex-companheira e uma amiga dela, no Recanto das Emas, evidenciando um padrão de violência de gênero.
Detalhes do crime
Em 26 de fevereiro de 2025, Antônio Ailton abordou Ana Rosa nas proximidades da Rodoviária do Plano Piloto. Ele a convenceu a fazer uma corrida informal até Valparaíso de Goiás pelo valor de R$ 35. Durante o trajeto, ao passar pelo Cruzeiro Velho, o homem anunciou o assalto. Ana Rosa teria reagido e foi esfaqueada. Ela perdeu o controle do veículo e bateu o carro. O suspeito fugiu a pé, mas foi perseguido por testemunhas, que acionaram a Polícia Militar.
Entre as testemunhas estava um militar do Exército fora de serviço, que chegou a dar um tiro de advertência em direção ao chão. Policiais militares alcançaram o suspeito durante a perseguição e efetuaram a prisão. Ana Rosa não resistiu ao ferimento e morreu no local.
Condenação e repercussão
A condenação de Antônio Ailton da Silva a 29 anos de prisão foi celebrada por familiares e entidades de defesa dos direitos das mulheres. O caso reforça a importância da reclassificação de crimes para que a motivação de gênero seja reconhecida e punida adequadamente. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri de Brasília, que considerou as provas e o depoimento do réu para proferir a sentença.



