Crise na Coreia do Sul após eliminação na Copa de 2026
Crise na Coreia do Sul após eliminação na Copa de 2026

A eliminação da Coreia do Sul na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 desencadeou uma crise profunda no futebol do país, com protestos de torcedores, pedidos de demissão e uma investigação solicitada pelo presidente Lee Jae-myung. A seleção asiática foi derrotada pela África do Sul, que garantiu vaga inédita no mata-mata, enquanto a Coreia encerrou sua participação na 34ª colocação.

Protestos e ameaças contra o técnico Hong Myung-bo

Na chegada ao aeroporto de Incheon, a delegação foi recebida por torcedores revoltados, com vaias, xingamentos e cartazes que declaravam o futebol coreano "morto" ou pediam que o técnico devolvesse o salário. Hong Myung-bo precisou de esquema especial de segurança devido a ameaças de morte. Ele já havia pedido demissão no dia 29 de junho, um dia após a eliminação, enquanto o presidente da KFA (Associação de Futebol da Coreia), Chung Mong-gyu, anunciou que deixará o cargo em 20 de julho, embora seu mandato fosse até 2029.

Investigação presidencial e críticas à gestão

O presidente Lee Jae-myung manifestou-se nas redes sociais, dizendo estar "perplexo" com o resultado e solicitou ao Ministério da Cultura, Esportes e Turismo uma investigação sobre as causas da queda. "Essa falha em se classificar para a fase final da Copa do Mundo, que deixou o público com uma sensação de vazio, parece decorrer de problemas de organização e de pessoal", escreveu Lee. Ele também criticou a nomeação de Hong: "Se se valoriza mais os aliados do que a competência e se escolhe uma pessoa incompetente como comandante, o resultado é óbvio como a luz do dia".

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Processo de nomeação controverso

Hong Myung-bo, ídolo como jogador e capitão da seleção de 2002, já havia comandado a equipe na Copa de 2014, quando a Coreia também caiu na fase de grupos sem vencer. Na ocasião, torcedores atiraram doces contra os jogadores, gesto considerado grave ofensa no país. Apesar desse histórico, Hong foi reconduzido ao cargo em 2024 em um processo considerado injusto e pouco transparente. O conselho técnico da KFA havia indicado Jesse Marsch e Jesus Casas como primeiras opções, mas Hong foi escolhido, supostamente por ter estudado na mesma universidade que Chung Mong-gyu. A entidade é acusada de ser controlada por um "cartel do futebol", que prioriza relações pessoais.

Decisões táticas questionadas

Na partida contra a África do Sul, Hong deixou Son Heung-min, principal referência ofensiva, no banco de reservas, substituiu o zagueiro Kim Min-jae e só colocou Cho Gue-sung aos 28 minutos do segundo tempo. Essas decisões aumentaram a revolta dos torcedores.

Antecedentes e contexto político

A crise na KFA não é nova. Em 2023, a contratação do técnico Jürgen Klinsmann seguiu processo igualmente obscuro, e ele foi demitido após passar apenas 67 dias na Coreia em seis meses. O Ministério da Cultura, Esportes e Turismo já havia exigido medidas disciplinares contra Chung por suposto envolvimento indevido nas nomeações, mas a KFA recorreu à Justiça. Em abril de 2026, um tribunal decidiu contra Chung em primeira instância. A briga entre Lee e Chung também tem fundo político: Lee é do Partido Democrático, de centro, enquanto a família Chung é ligada ao Partido da Liberdade, de extrema direita, e ao conglomerado Hyundai. Lee defende a reforma dos grandes conglomerados familiares. A KFA ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema.

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