Paradeiro do acervo do Palácio das Mangabeiras gera impasse em Minas
Acervo do Palácio das Mangabeiras vira impasse em MG

O destino do acervo histórico, artístico e mobiliário do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, tornou-se o centro de um impasse político e administrativo. Atualmente explorado pela iniciativa privada para eventos, o imóvel teve seu patrimônio redistribuído, mas a falta de um inventário público gera controvérsias.

Biombo de Di Cavalcanti localizado no Palácio da Liberdade

Uma das obras mais valiosas do conjunto, um biombo assinado por Emiliano Di Cavalcanti, datado de 1952, foi localizado pela reportagem do g1 exposto no Palácio da Liberdade. A peça, composta por seis placas de madeira, mede cerca de dois metros de altura por quatro de largura, pintada a óleo com cena de garimpo e verso revestido em couro. A localização ajuda a esclarecer parte das dúvidas, já que parlamentares afirmam não ter recebido relação detalhada dos bens redistribuídos.

Vistoria da ALMG aponta esvaziamento do palácio

Nesta quinta-feira (2), a Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou vistoria técnica no palácio. Segundo os parlamentares, permaneceram no local apenas uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano do patrimônio original. O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) foi convidado, mas não compareceu. Após a visita, os deputados reuniram-se com a diretoria da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), que não informou onde está cada item, mas garantiu que todos estão inventariados e protegidos. A Codemge comprometeu-se a encaminhar à Assembleia, até 16 de julho, a documentação completa do acervo.

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Acervo inclui livros históricos e 294 bens móveis

As discussões envolvem o destino de pelo menos 294 bens móveis redistribuídos pela administração pública estadual nos últimos anos. Livros históricos, como uma edição comemorativa de "Os Lusíadas" de 1880 e "I tesori d'arte dell'Italia" de 1903, foram alocados na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. A oposição argumenta que a ausência de relação pública detalhada impede a fiscalização adequada, motivando representações ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).

Como o acervo foi distribuído: três grupos de bens

O governo estadual menciona três grupos de bens: 187 peças não especificadas sob custódia da Codemge, aguardando destinação final; 44 obras de arte sob guarda do Gabinete Militar do Governador e da Polícia Militar; e 63 itens transferidos para a Secretaria-Geral da Governadoria por doação publicada em dezembro de 2020. A representação ao TCE-MG pede apuração de suposta falta de controle patrimonial. O Tribunal informou que o documento passa por análise de admissibilidade; se admitida, tramitará como processo formal sob sigilo.

Governo nega irregularidades e afirma que bens estão protegidos

Em nota, o Governo de Minas Gerais afirmou que todos os bens foram devidamente inventariados durante a mudança de função do imóvel e destinados a órgãos responsáveis. A redistribuição observou procedimentos administrativos, com registros nos sistemas oficiais de controle. Parte dos itens é utilizada por órgãos estaduais, outros permanecem armazenados com acesso restrito. O governo reiterou que as movimentações são transferências internas, sem alteração da propriedade, e que o patrimônio permanece identificado e à disposição dos órgãos de fiscalização.

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