COI rejeita denúncia contra presidente da Fifa por suposta violação política
COI rejeita denúncia contra Infantino por neutralidade

A Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional (COI) rejeitou na última semana a denúncia apresentada pela ONG de direitos humanos FairSquare contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino. A acusação apontava que Infantino teria 'violado recorrentemente a neutralidade política' durante a Copa do Mundo, especialmente devido à sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão do COI foi comunicada oficialmente na sexta-feira.

Comissão de Ética alega falta de jurisdição

A FairSquare havia solicitado investigação sobre Infantino, destacando seus vínculos com Trump e a polêmica envolvendo a anulação do cartão vermelho do jogador americano Folarin Balogun. No entanto, o COI concluiu que a denúncia está fora do escopo de aplicação do seu código de ética. 'A atual reclamação, no que diz respeito ao presidente da FIFA, refere-se apenas às decisões da federação internacional sobre sua governança e gestão, incluindo suas relações com o governo, e à implementação, por parte da federação, das regras de seu esporte; ambos os aspectos estão fora do escopo de aplicação do código de ética do COI', afirmou o comunicado.

Proximidade com Trump e o 'Conselho da Paz'

A ONG FairSquare também mencionou a participação de Infantino no 'Conselho da Paz' de Trump, em fevereiro, quando o dirigente usou um boné com as inscrições 'USA' e '45-47', em referência aos dois mandatos presidenciais do líder americano. Para a FairSquare, essa atitude comprometeria a neutralidade política exigida pela Carta Olímpica, da qual Infantino, como membro do COI, deve seguir. Durante a Copa do Mundo, a anulação do cartão vermelho de Balogun após um telefonema de Trump para Infantino gerou forte controvérsia. Trump declarou publicamente que interferiu na decisão, enquanto Infantino admitiu a conversa, mas negou interferência política.

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Infantino se defende: 'Respeito as decisões disciplinares'

Em sua defesa, Infantino afirmou: 'Sim, discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo da FIFA com o presidente dos Estados Unidos e, a esse respeito, recebi de fato uma ligação do presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, autoridades governamentais, partes interessadas no futebol e executivos de todo o mundo sobre os mais variados temas. Leio as decisões do Comitê Disciplinar da FIFA assim que são emitidas. Às vezes, fico surpreso com elas. Às vezes, concordo; outras vezes, discordo. No entanto, o que sempre faço é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam. Se gostamos ou não pessoalmente de uma decisão, isso é irrelevante.'

COI reafirma compromisso com a boa governança

No comunicado, o COI reforçou que cada Federação Internacional mantém independência e autonomia em sua governança, e que o código de ética do COI se limita às relações com o COI. 'A Comissão de Ética do COI analisou minuciosamente a denúncia apresentada pela FairSquare. A Comissão observou que, de acordo com a Carta Olímpica, cada Federação Internacional (FI) mantém sua independência e autonomia em sua governança. O âmbito de aplicação do Código de Ética do COI em relação às Federações Internacionais e aos seus dirigentes é especificamente limitado às suas relações com o COI. A Comissão de Ética do COI constatou que a presente denúncia, inclusive no que diz respeito ao presidente da FIFA, refere-se apenas às decisões da Federação Internacional sobre sua governança e administração, incluindo suas relações com governos, bem como à implementação, pela Federação Internacional, das regras de sua modalidade esportiva. Ambos os temas estão fora do escopo de aplicação do Código de Ética do COI. Consequentemente, a denúncia está fora da jurisdição da Comissão de Ética do COI. A FairSquare foi informada dessa decisão. Independentemente dessa denúncia, conforme reafirmado na recente Sessão do COI, o COI continuará seus esforços para fortalecer a boa governança em todo o Movimento Olímpico e promover maior clareza quanto aos respectivos papéis, responsabilidades e prestação de contas das organizações que o compõem.'

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