Chico Trader preso: suspeito diz que não tem dinheiro para vítimas
Chico Trader preso: suspeito alega não ter dinheiro

O delegado Luciano Alcântara, responsável pela investigação do caso 'Chico Trader', revelou que Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como 'Chico Trader', afirmou em depoimento não ter mais dinheiro para ressarcir as vítimas. 'Deixou bem claro que não existe mais dinheiro [das vítimas]', declarou o delegado após a oitiva realizada nesta quarta-feira (22), quando o suspeito se apresentou no Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).

Maior golpe financeiro da história do Piauí

Segundo a Polícia Civil, Francisco é apontado como chefe do grupo que aplicava golpes com falsas operações na Bolsa de Valores, movimentando cerca de R$ 600 milhões. O delegado afirmou que este é o maior golpe financeiro já registrado no estado do Piauí. O número de vítimas saltou de aproximadamente 25 investidores em 2023 para cerca de 330 pessoas em maio de 2025, quando Francisco desapareceu.

Durante o depoimento, o suspeito explicou que parte do dinheiro das vítimas foi usado para pagar parcelas de cartões de crédito de investidores e que outra parte foi perdida em operações na Bolsa de Valores. 'Ao final, falou que não tinha mais nenhum valor, e aí foi o momento que ele desaparece. Ele fala que não tem nenhum valor disponível para ressarcir as vítimas do prejuízo que foi causado pelo golpe financeiro', completou o delegado.

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Esquema da Xtreme Trade

A Operação Extrema Confiança investiga o grupo suspeito de atrair investidores com promessas de altos lucros em operações na Bolsa. Francisco iniciou sua atuação no mercado financeiro em 2017. Após uma parceria que deixou prejuízos superiores a R$ 100 mil, ele passou a atuar sozinho e fundou a Xtreme Trade. Em 2023, tornou-se único sócio-administrador e intensificou a captação de recursos.

De acordo com o delegado, o investigado aceitava investimentos em dinheiro, transferências bancárias, joias e veículos, o que dificulta o cálculo do prejuízo total. Entre cerca de 100 vítimas já ouvidas, as perdas individuais variam entre R$ 200 mil e R$ 400 mil.

Prisão e foragidos

Com o desaparecimento de Francisco, centenas de vítimas procuraram a Polícia Civil, que passou a investigar em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Na segunda fase da Operação Extrema Confiança, em junho de 2026, a Justiça expediu mandados de prisão contra Francisco e sua namorada, Kayra. Ambos foram incluídos na lista de procurados da Interpol.

Após prestar depoimento, Francisco foi encaminhado à Central de Inquéritos para audiência de custódia. A defesa informou ao g1 que ainda não se pronunciará sobre o caso. A polícia agora concentra esforços para localizar Kayra, que permanece foragida, e concluir o inquérito a ser encaminhado ao Ministério Público.

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