Flávio Bolsonaro deixa lacunas sobre pagamento de R$ 500 mil em vídeo
Flávio Bolsonaro deixa lacunas sobre pagamento de R$ 500 mil

O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou um vídeo na quarta-feira (22) para explicar sua relação com empresas do conglomerado do Banco Master, de Daniel Vorcaro, mas deixou lacunas sobre o pagamento de R$ 500 mil que recebeu e sobre notas fiscais emitidas e posteriormente canceladas.

O que Flávio disse no vídeo

No vídeo, Flávio Bolsonaro afirmou que prestou “serviços advocatícios” à empresa Contábil Correa, pertencente a Rogério Lourenço Novo, em uma contratação legal, lícita e privada. Também declarou que se recusou a prestar serviço para a Copenhagen e Assessoria e Consultoria S.A, empresa do conglomerado do Master que desde setembro de 2025 tem Rogério Novo como diretor. As duas empresas estão registradas no mesmo endereço, num prédio no centro de São Caetano do Sul.

Lacunas deixadas pelo senador

O vídeo não esclareceu quatro pontos principais:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

1) Qual foi o serviço prestado para a Contábil Correa? A nota fiscal emitida pelo escritório de Flávio Bolsonaro indica genericamente “assessoria jurídica” por R$ 500 mil. O senador não detalhou a natureza desse assessoramento nem se houve contrato escrito ou verbal. A reportagem não localizou processos ou procurações da empresa para Flávio.

2) Quem apresentou Rogério Lourenço Novo a Flávio? A Contábil Correa é uma empresa de 2005, com endereço em São Caetano do Sul (SP). O senador não explicou como Rogério Novo surgiu com a proposta nem se houve intermediário.

3) Por que emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil para a Copenhagen, depois canceladas? O escritório de Flávio emitiu duas notas de R$ 500 mil cada para a Copenhagen em 7 de abril de 2025. Uma foi cancelada no mesmo dia; a outra, dois dias depois. No vídeo, ele disse apenas que não aceitou trabalhar para a Copenhagen, mas não explicou por que emitiu as notas.

4) Quais seriam os serviços solicitados pela Copenhagen e por quem? Flávio reclamou de ser cobrado por um serviço não prestado: “Eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso”, declarou. Porém, não explicou quais serviços foram negociados nem quem fez as tratativas.

Nota oficial do senador

Em nota enviada ao portal Metrópoles, Flávio Bolsonaro disse ter sido consultado sobre a possibilidade de prestar serviço a uma cliente da Contábil Correa, a Copenhagen. “Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen, razão pela qual as notas fiscais foram canceladas”, afirmou.

A Copenhagen pertence ao Fundo Estônia, da Trustee DTVM, uma das gestoras apontadas como custodiantes de ativos de Daniel Vorcaro. Até julho de 2025, a empresa tinha como diretores Artur Martins de Figueiredo, que também administrava a Trustee.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar