PSOL destina R$ 2,3 milhões a Erika Hilton, 61,5% a mais que em 2022
PSOL destina R$ 2,3 milhões a Erika Hilton, 61,5% a mais

Um dia após a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acusar a direção nacional do partido de 'rasgar' acordos internos, o PSOL anunciou a previsão de repassar R$ 2,3 milhões do fundo eleitoral para sua campanha de reeleição. O valor é 61,5% superior aos R$ 1,4 milhão recebidos por ela em 2022 e supera os R$ 2,2 milhões destinados a outros deputados do partido que buscam novos mandatos na Câmara.

Deputada critica gestão e falta de transparência

Na terça-feira (25), Erika Hilton afirmou que a executiva nacional apresentou uma planilha de distribuição de recursos sem incluí-la na faixa combinada, e que não teve acesso ao documento. 'Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela d'Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro', disse a deputada, citando 'privilégio branco e cis' como motivo da disparidade.

A manifestação pública ocorre três semanas antes da reunião da Executiva Nacional do PSOL, marcada para 18 de julho, que definirá oficialmente a divisão dos recursos. Erika sustenta que, para percorrer São Paulo como puxadora de votos, precisa de logística e esquema de segurança robustos, e que seu grupo político 'corre riscos que a burocracia do partido não pode ignorar'.

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Contexto interno e divergências

Em março, o grupo de Erika, Revolução Solidária, decidiu disputar as eleições pelo PSOL mesmo após o diretório nacional recusar a formação de federação com PT, PCdoB e PV. A ala oposta à deputada interpreta sua manifestação como uma tentativa de barganhar mais recursos, impulsionar a candidatura de Natália Boulos à Câmara e preparar uma eventual saída do partido.

Integrantes da direção nacional defendem que a destinação superior a Erika já representa uma 'deferência' e que, em 2022, nenhum candidato recebeu mais que os demais conforme as faixas – inclusive Guilherme Boulos, puxador de votos na época, recebeu menos que candidatos em reeleição.

Comparações e privilégios questionados

Fontes do PSOL questionam a interpretação de que Erika estaria ensaiando sair da legenda, mas reconhecem que a tensão interna expõe privilégios a pré-candidatos cis, heterossexuais e brancos. O cenário se agravou após o STF validar a emenda que anistia partidos que violaram cotas eleitorais de minorias.

Erika comparou sua verba com a de outros parlamentares: Manuela d'Ávila, pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, deve receber R$ 5 milhões – mais que o dobro do valor previsto para Erika. O partido justifica que o valor maior se deve à eleição majoritária e ao potencial de alavancar candidaturas proporcionais no estado. Juliano Medeiros e Natália Boulos receberão R$ 2 milhões cada para disputar a Câmara por São Paulo.

Em São Paulo, Luiza Erundina, que saiu de candidata federal para estadual, receberá menos do que se concorresse à Câmara, mas ainda acima da média, segundo o PSOL.

Impacto e próximos passos

A deputada também citou insatisfação de outros parlamentares, como Renata Souza (RJ), Carlos Giannazi (SP) e Rick Azevedo (RJ), que receberá R$ 900 mil como vereador candidato a deputado federal. A reunião de 18 de julho definirá o valor final destinado a cada candidato, em meio à crise interna que pode influenciar as decisões financeiras.

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