Pressão no PT: Jaques Wagner pode deixar liderança no Senado
Pressão no PT: Jaques Wagner pode deixar liderança

A possível saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após a operação da Polícia Federal que expôs suas relações com o Banco Master, abriu conversas na bancada sobre a eventual substituição. Uma reunião na quarta-feira entre Wagner e o presidente Lula deve definir o destino do parlamentar. Os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) são cotados caso a mudança ocorra.

Troca dada como certa por aliados

Integrantes da cúpula do PT e do entorno de Lula dão como certa a troca, mas Wagner ainda resiste. A avaliação de governistas é que a permanência dele no cargo dá munição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal rival de Lula na eleição. O caminho que pode ser adotado por Wagner é pedir licença da liderança do governo, abrindo caminho para a substituição.

Camilo Santana: interlocução política

Ex-ministro da Educação, Camilo é apontado por parte do PT como o melhor nome por conta da interlocução política com Lula e também com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O ex-ministro se aproximou do presidente da República durante a terceira gestão presidencial de Lula. Além disso, mesmo em momentos de distanciamento entre Lula e Alcolumbre, acentuado desde o final do ano passado por conta da queda de braço pela nomeação no Supremo Tribunal Federal, Camilo manteve proximidade com o presidente do Senado e chegou a acompanhá-lo em inaugurações de equipamentos da área de educação no Amapá.

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Disponibilidade de Teresa Leitão

No entanto, há uma avaliação de que o ex-ministro da Educação não poderia assumir o cargo porque ele precisa focar nas articulações das eleições. Há um entendimento de que Camilo precisará ficar muito tempo no Ceará para evitar que o governo do estado saia das mãos do PT. O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O próprio nome de Camilo é citado como possibilidade de candidato a governador caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide um favoritismo. Por conta disso, o entendimento é que a líder do PT na Casa, Teresa Leitão, pode ser um nome melhor para assumir a tarefa de substituir Wagner. O mandato dela como senadora vai até 2030 e ela teria mais disponibilidade para ficar em Brasília nesta reta final das sessões do Congresso antes das eleições.

Esvaziamento do cargo

Apesar da indefinição, aliados do governo não veem uma disputa que divida o partido para a definição do cargo. Há um entendimento que a função neste momento está esvaziada por conta da proximidade das eleições e que qualquer senador do PT poderia exercer a função. O governo ainda deseja votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá fim a escala de trabalho 6×1, mas o entendimento é que o andamento dessa medida se dará por um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre.

Investigação da PF

Na semana passada, Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal que investigam suspeitas de que ele teria recebido ‘vantagens indevidas’ para favorecer os interesses do banco Master. O entendimento de governistas é que, toda vez que ele fizer um encaminhamento ou até dar qualquer discurso no Senado na condição de líder do governo, será uma maneira de trazer o caso Master para perto de Lula.

Reações à entrevista de Wagner

Também foram feitas críticas à maneira como Wagner respondeu às perguntas de uma entrevista à BandNews na quinta-feira. Integrantes do partido se queixaram que o senador expôs Lula ao mencionar que ele procurou Jaques Wagner para conversar e trouxe ainda mais para perto do presidente o escândalo. Lula ainda não comentou publicamente sobre o caso. Uma declaração do senador, quando disse que Lula já enfrentou casos piores, provocou insatisfação no entorno do presidente e em diversos integrantes do PT. — Ele (Lula), já teve até problemas maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, porque foi preso — disse o senador na entrevista.

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Impacto político

Flávio Bolsonaro usou trechos da entrevista de Wagner, inclusive essa fala, para associar o escândalo de Master a Lula. Mesmo com a insatisfação, a cúpula do partido diz confiar que Wagner vai provar sua inocência e que a legenda vai dar estrutura para ele fazer sua defesa política, além de contar com o apoio para a campanha de reeleição ao Senado. Há um entendimento de aliados do governo de que o escândalo do Master ainda tem mais potencial de desgastar Flávio do que Lula. Petistas citam que o próprio Flávio já teve relações com Daniel Vorcaro, dono do Master, expostas, e que, no caso da campanha do PT, o que apareceu foi uma relação envolvendo um senador do PT, não do candidato à Presidência.