O Partido Liberal (PL) oficializará neste sábado, durante sua convenção nacional em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República sem anunciar quem ocupará a vaga de vice em sua chapa. A decisão reflete um duplo impasse enfrentado pelo presidenciável: as negociações ainda inconclusas com o Republicanos e uma disputa interna na própria legenda sobre o nome que deve compor a chapa.
Estratégia mantém vaga aberta até agosto
— A princípio, não será anunciada — disse o coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), ao ser questionado sobre a escolha da vice. A estratégia da campanha é manter a vaga aberta após a convenção e deixar a definição para até 5 de agosto, prazo final previsto pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções partidárias. O mecanismo permite que a ata permaneça aberta e que a Executiva Nacional do partido conclua posteriormente a composição da chapa, preservando espaço para novas alianças.
Dois fatores travam definição
Nos bastidores, aliados do presidenciável afirmam que a indefinição decorre de dois fatores. O primeiro envolve as conversas com o Republicanos, considerado hoje o principal aliado que ainda pode integrar formalmente a chapa presidencial. O segundo é a falta de consenso dentro do próprio PL sobre quem deve ocupar a vice, disputa que ganhou força nas últimas semanas e expôs divergências entre diferentes alas do partido.
Daniella Marques é nome cotado, mas enfrenta resistências
A economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, segue entre os nomes mais cotados. Filiada ao Republicanos neste ano, ela se aproximou de Flávio ao longo da pré-campanha e passou a atuar na elaboração de propostas econômicas e de políticas voltadas ao eleitorado feminino. Na semana passada, participou ao lado do senador de uma transmissão para apresentar medidas destinadas às mulheres, como a criação de vouchers para creches e linhas de microcrédito. Sua eventual indicação, porém, está diretamente ligada ao avanço das negociações entre os dois partidos. O Republicanos condiciona uma aliança nacional à resolução de impasses estaduais e cobra apoio do PL em quatro estados considerados estratégicos. Até o momento, apenas o Espírito Santo tem acordo fechado, com o apoio ao ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini.
Além da negociação com o Republicanos, Daniella enfrenta resistências dentro do próprio PL. Em entrevista ao GLOBO na semana passada, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que a economista reúne qualidades técnicas, mas não agregaria votos suficientes à chapa presidencial. — O problema dela é que ela não tem voto, mas tem uma imagem muito boa, uma pessoa muito competente. Precisamos de voto, isso é que vai ser a guerra. Depende do que eles decidirem. O que decidirem está decidido — afirmou.
Valdemar defende Tereza Cristina; outras deputadas são cotadas
Valdemar também defendeu a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como o nome ideal para ocupar a vice-presidência. As declarações evidenciaram uma disputa. Enquanto um grupo avalia que Daniella poderia ajudar Flávio a melhorar sua interlocução com o mercado financeiro e reduzir sua rejeição entre o eleitorado feminino, outra ala sustenta que a vaga deve ser destinada a uma liderança com maior densidade eleitoral e capacidade comprovada de transferência de votos.
Além de Daniella e Tereza, as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) são cotadas. A hipótese de uma aliança com elas, porém, perdeu força, uma vez que a federação União-PP tem indicado que irá declarar neutralidade na corrida presidencial.



