PF diz que servidora tinha aval de Hugo Motta para indicar emendas a Cunha
PF: servidora tinha aval de Hugo Motta para emendas a Cunha

A Polícia Federal afirmou, em representação ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que as provas coletadas indicam que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, tinha aval do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para atuar na indicação de emendas parlamentares em benefício de Eduardo Cunha (Republicanos), que não ocupa mandato parlamentar. Procurado, Motta ainda não se manifestou.

Indícios de aval da presidência

No documento citado por Dino, a PF aponta que existem indícios de que Fialek atuava sob ordens da presidência da Câmara. “Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, afirma a PF.

Diálogos revelam poder de Cunha

Os investigadores argumentam que a interceptação de diálogos entre Tuca e Cunha revela que o ex-presidente da Câmara operava com poderes equivalentes ou superiores aos de parlamentares em exercício, interferindo no direcionamento de recursos federais sem autorização institucional. “Isso revela um quadro de gravíssimo desvio de finalidade, pois as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência”, dizem os investigadores.

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Bloqueio de bens e suspensão de despesas

Na decisão de 6 de julho, Dino determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha e suspendeu imediatamente a execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas sob suspeita. Todas as emendas identificadas foram empenhadas no final de 2025, quando Hugo Motta já ocupava a presidência da Casa.

Reação de Motta

No sábado, Motta reagiu à investigação contra Valdemar Costa Neto, afirmando que a PF tenta “criminalizar a política”. Dino, por sua vez, escreveu que “Eduardo Cosentino da Cunha, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos, especialmente em prol de sua anunciada campanha ao cargo de Deputado Federal pelo Estado de Minas Gerais”. O ministro defendeu que a falta de rastreabilidade do dinheiro público gera indícios de possível peculado ou desvio.

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