O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou nesta quarta-feira, 15, a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como “frouxa, pouco transparente e pouco fiscalizada”. “Há vários focos de corrupção na Secretaria da Fazenda, na Secretaria da Agricultura, na Secretaria de Transportes. Eu não vejo ninguém preocupado com isso.”
Em entrevista ao programa Papo com Editor, do Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Haddad afirmou haver uma “simbiose” entre o governador e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que, segundo ele, precisa ser explicitada.
Haddad se diz alinhado à tradição tucana
Conhecido como o “mais tucano dos petistas”, Haddad avaliou que a “boa tradição do tucanato” – referência à ala do hoje reduzido PSDB, partido que governou o Estado por 28 anos consecutivos – está ao seu lado. Ele mencionou o vice-presidente Geraldo Alckmin, hoje no PSB e que deve atuar na campanha pelo interior, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O petista disse ainda que o agronegócio precisa superar o “preconceito contra o PT”.
Três temas centrais contra Tarcísio
Haddad listou três pontos que pretende discutir com o atual governador: o apoio de Tarcísio a Flávio Bolsonaro, o apoio aos Estados Unidos – que ele considera uma “nação hostil” ao Brasil – e a deterioração dos serviços públicos em São Paulo, em especial a privatização da Sabesp, que chamou de “escândalo”. “Essa simbiose entre Tarcísio e Flávio precisa ser explicitada”, afirmou.
Interior e agronegócio
Sobre a dificuldade do PT no interior paulista, Haddad defendeu que sua gestão como ministro da Fazenda bateu recordes de crédito e produção para o agronegócio. “A gente tem que acabar com o preconceito. O preconceito está sendo alimentado no Brasil, e isso tem razão de ser, porque a extrema direita alimenta-se do preconceito”, disse.
Revisão de contratos e combate à corrupção
Haddad prometeu reler todos os contratos, citando o exemplo do túnel Roberto Marinho, que mandou cancelar por superfaturamento. “São Paulo hoje tem uma administração frouxa, pouco transparente, pouco fiscalizada. A Controladoria-Geral do Estado não atua como a minha atuava”, criticou.
Segurança pública
Na área de segurança, Haddad defendeu um gabinete permanente contra o crime organizado, com integração das forças de segurança, Coaf e Receita Federal. Também mencionou a necessidade de inteligência no patrulhamento, combate a crimes digitais e tecnologia social de prevenção contra violência doméstica.
Eleitorado feminino
Questionado sobre a rejeição menor entre as mulheres, Haddad afirmou que “os Bolsonaro têm problema com mulher”, citando declarações de Tarcísio contra as ex-senadoras Marina Silva e Simone Tebet, e os conflitos de Flávio com Michelle Bolsonaro e Damares Alves.



