As deputadas federais Maria do Rosário (PT-RS), Erika Hilton (PSOL-SP) e a ex-deputada Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) comentaram o vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no qual ela afirma ter sido desrespeitada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. As parlamentares, que são opositoras ao bolsonarismo, criticaram tanto a postura de Michelle quanto a atuação do PL Mulher, braço feminino do Partido Liberal.
Solidariedade e contradições apontadas por Maria do Rosário
Maria do Rosário, conhecida por sua trajetória em defesa dos direitos das mulheres, manifestou solidariedade a Michelle Bolsonaro, mas destacou o que chamou de “desrespeito histórico” da família Bolsonaro com as mulheres. “É lamentável que a própria família Bolsonaro reproduza o desrespeito que sempre praticaram contra as mulheres brasileiras. Michelle agora experimenta na pele o que tantas denunciaram”, afirmou a deputada.
Erika Hilton questiona coerência do PL Mulher
Erika Hilton, uma das vozes mais ativas na Câmara sobre pautas de gênero, criticou diretamente o PL Mulher. “O partido que se diz defensor da família e dos valores tradicionais agora precisa explicar como trata suas próprias filiadas. Enquanto isso, o PL Mulher atua contra os direitos das mulheres no Congresso, votando contra projetos que combatem a violência doméstica e ampliam a autonomia feminina”, declarou Hilton.
Manuela d’Ávila vê oportunismo político
Manuela d’Ávila, que foi candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad em 2018, interpretou a ação de Michelle como uma jogada política. “Michelle Bolsonaro tenta construir um espaço próprio dentro do PL às vésperas da convenção. O discurso de vítima não apaga o fato de que ela e o marido sempre desrespeitaram as mulheres, inclusive com piadas e declarações misóginas”, escreveu d’Ávila em suas redes sociais.
O vídeo que gerou a polêmica
Na gravação, Michelle Bolsonaro relata ter sido tratada com desrespeito por Flávio Bolsonaro durante uma reunião do PL Mulher. O episódio ocorreu em meio a articulações para a convenção do partido, que deve oficializar a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência. A ex-primeira-dama, que preside o PL Mulher, não detalhou o ocorrido, mas afirmou que “não aceitará ser desrespeitada por ninguém, nem dentro da própria família”. Procurado, o senador Flávio Bolsonaro não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Repercussão nas redes sociais
O caso rapidamente viralizou nas redes sociais, com milhares de comentários divididos entre apoiadores de Michelle e críticos. A hashtag #MichelleBolsonaro ficou entre os trending topics do Twitter por horas. Enquanto aliados do ex-presidente minimizaram o ocorrido e acusaram a imprensa de explorar o caso, opositores viram na situação mais um exemplo das contradições internas da família Bolsonaro.
Contexto político e próximos passos
O episódio ocorre em um momento de reestruturação do PL Mulher, que busca ampliar sua base feminina para as eleições de 2026. Michelle Bolsonaro tem se destacado como uma das principais articuladoras do partido, mas enfrenta resistência de setores ligados a Flávio Bolsonaro. A convenção do PL está prevista para julho, e a disputa interna pode influenciar a composição da chapa presidencial. Parlamentares da oposição prometem acompanhar de perto os desdobramentos e cobrar transparência do partido.



