Convenção virtual abre nova crise no PSB do Paraná
Convenção virtual agrava crise no PSB do Paraná

O PSB do Paraná vive uma nova crise interna após a realização de uma convenção virtual que aprovou uma chapa única para a executiva estadual. O evento, realizado no último sábado, contou com o apoio do ex-governador Ciro Gomes e de outros líderes nacionais da legenda. A direção estadual, no entanto, contesta a validade do ato, alegando que ele não seguiu os trâmites regimentais.

Convenção virtual e chapa única

A convenção virtual foi convocada por um grupo dissidente do partido, que defende a renovação da direção. A chapa única aprovada é encabeçada pelo deputado estadual Luciano Ducci, que já presidiu o PSB paranaense. Em seu discurso, Ducci defendeu a união do partido e criticou a atual gestão, que classificou como “autoritária e centralizadora”.

“Precisamos resgatar o diálogo interno e a democracia partidária. A atual direção se afastou das bases e não ouve os filiados”, afirmou Ducci durante a convenção. O evento foi transmitido ao vivo pelas redes sociais e contou com a participação de cerca de 200 filiados, segundo os organizadores.

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Reação da direção estadual

A atual direção do PSB no Paraná, presidida por Emerson Vidal, classificou a convenção como “ilegal e ilegítima”. Em nota oficial, a executiva estadual afirmou que o ato não foi convocado de acordo com o estatuto do partido e que não reconhece seus resultados.

“A convenção virtual não foi precedida de edital regular e não observou os prazos e quóruns exigidos. Trata-se de uma manobra política de um grupo que não aceita o resultado das urnas internas”, diz a nota. Vidal também acusou o grupo de Ducci de tentar “rachar o partido” e de agir de forma “antidemocrática”.

Apoio de Ciro Gomes e lideranças nacionais

A convenção virtual contou com o apoio explícito de Ciro Gomes, presidente nacional de honra do PSB. Em vídeo exibido durante o evento, Ciro defendeu a renovação da direção paranaense e criticou a atual gestão. “O PSB precisa se modernizar e se abrir para novas lideranças. O Paraná é um estado estratégico e não podemos permitir que o partido seja dirigido por um grupo fechado”, afirmou Ciro.

Além de Ciro, outros líderes nacionais do PSB, como o deputado federal Alessandro Molon e o senador Randolfe Rodrigues, também manifestaram apoio à chapa de Ducci. Molon, em mensagem enviada à convenção, disse que “o Paraná precisa de uma direção que dialogue com as bases e com a sociedade”.

Impactos na legenda

A divisão no PSB paranaense pode ter impactos nas eleições de 2026. O partido, que hoje tem três deputados estaduais e um federal no estado, corre o risco de ver sua bancada encolher caso a crise se aprofunde. Analistas políticos apontam que a disputa interna pode afastar eleitores e aliados.

“O PSB sempre foi um partido de centro-esquerda com forte presença no Paraná. Mas essa briga interna pode comprometer a competitividade da legenda nas próximas eleições”, avaliou o cientista político Paulo Roberto de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná. “Se não houver um entendimento, o partido pode perder espaço para outras siglas, como o PDT e o PT.”

Próximos passos

A direção estadual do PSB informou que recorrerá à Comissão de Ética e Disciplina do partido para anular a convenção virtual. Já o grupo de Ducci promete levar a disputa à Justiça Eleitoral, caso o reconhecimento do ato seja negado. Enquanto isso, a legenda segue dividida, com duas executivas paralelas reivindicando a legitimidade.

O impasse deve ser resolvido nas próximas semanas, com a intervenção da executiva nacional do PSB. O presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, já sinalizou que tentará mediar o conflito, mas não descarta a aplicação de sanções aos envolvidos. “O partido não pode se dar ao luxo de ter duas direções. Vamos buscar o diálogo, mas, se necessário, tomaremos medidas disciplinares”, afirmou Siqueira em entrevista.

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