A declaração do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sobre a possibilidade de ter Michelle Bolsonaro como vice em sua chapa presidencial gerou forte atrito com a cúpula do Partido Liberal (PL) e ampliou o mal-estar com o bolsonarismo. Embora a ex-primeira-dama tenha rejeitado publicamente a hipótese, interlocutores avaliam que o episódio foi usado para alimentar especulações em torno da disputa na direita.
Reações imediatas do PL
Dirigentes do PL classificaram a fala de Zema como uma tentativa de explorar tensões internas do bolsonarismo para ganhar destaque. A cúpula do partido, que já via com desconfiança a aproximação de Zema com o ex-presidente Jair Bolsonaro, considerou a declaração desrespeitosa e inoportuna. Segundo fontes, a insatisfação é grande, pois acreditam que o governador mineiro busca capitalizar politicamente sobre uma figura central do bolsonarismo.
Posicionamento de Michelle Bolsonaro
Em resposta, Michelle Bolsonaro afirmou que é filiada ao PL e que seu partido tem candidato próprio à Presidência, referindo-se a Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente. Ela descartou qualquer possibilidade de compor chapa com Zema, reforçando sua lealdade ao PL e ao projeto político da família Bolsonaro. A declaração foi vista como uma tentativa de conter as especulações, mas não evitou o desgaste.
Impacto no cenário político da direita
O episódio acirrou as rivalidades entre diferentes grupos da direita brasileira. Enquanto Zema busca se posicionar como uma alternativa moderada, o PL e o bolsonarismo mais radical veem com ressalvas qualquer movimento que possa fragmentar o eleitorado conservador. Analistas apontam que a disputa interna pode beneficiar candidatos de centro-esquerda, à medida que a direita se divide. O mal-estar já existente entre o Novo e o PL, agravado por divergências em pautas econômicas e de costumes, agora ganha novos contornos com a sucessão presidencial de 2026.



