Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana revelou que as novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reduziram a intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre eleitores de direita, incluindo os autodenominados bolsonaristas. O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, antes de Washington confirmar a imposição de tarifas de 25% sobre uma ampla gama de itens brasileiros.
Impacto das tarifas na intenção de voto
De acordo com a pesquisa, a proporção de eleitores de direita que afirmaram ter vontade de votar em Flávio Bolsonaro caiu de 38% para 31% após o anúncio das tarifas. Entre os bolsonaristas mais fiéis, o declínio foi de 72% para 64%. A pesquisa também apontou que 63% dos brasileiros acreditam que as tarifas afetarão negativamente suas vidas, e 58% consideram que o governo brasileiro, liderado por Lula, não está lidando bem com a situação.
“A imposição de tarifas pelos EUA gerou um efeito negativo sobre a imagem de Flávio Bolsonaro, especialmente entre seus apoiadores naturais”, afirmou o diretor da Quaest, Felipe Nunes. “A maioria dos entrevistados atribui a Flávio a culpa pelo tarifaço, o que contribuiu para a queda na intenção de voto.”
Contexto político e econômico
As tarifas de 25% foram confirmadas pelo governo Trump em 14 de julho, afetando setores como aço, alumínio, café e suco de laranja. A decisão foi tomada após meses de negociações comerciais entre Brasil e EUA. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é um dos principais nomes da direita para as eleições presidenciais de 2026.
“A pesquisa mostra que o tarifaço não apenas prejudica a economia, mas também tem implicações políticas diretas”, comentou o analista político Carlos Melo. “Flávio Bolsonaro, que vinha crescendo nas pesquisas, agora enfrenta um revés significativo.”
Reações e próximos passos
Em resposta, Flávio Bolsonaro criticou a política tarifária americana e defendeu uma postura mais firme do governo brasileiro. “Não podemos aceitar essa agressão comercial. O Brasil precisa reagir com reciprocidade”, disse o senador em nota. Já o governo Lula avalia medidas de retaliação, mas busca evitar uma escalada na guerra comercial.
Com a queda na intenção de voto, a campanha de Flávio Bolsonaro terá que reavaliar sua estratégia. “O cenário é desafiador, mas ainda há tempo para reverter a situação”, afirmou um assessor do senador. A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.000 eleitores em todo o Brasil e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.



