O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) se reúne nesta terça (28) e quarta-feira (29) de julho para decidir sobre a taxa de juros nos Estados Unidos. Diferentemente do que ocorreu nas primeiras reuniões de 2023, o encontro não coincide com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que ocorrerá apenas na semana seguinte, em 4 e 5 de agosto. Com isso, julho não terá a tradicional Super Quarta, evento que costuma gerar ansiedade e volatilidade nos mercados financeiros.
Por que as datas se distanciaram?
A coincidência de datas entre os dois comitês não é proposital, mas sim uma questão de calendário. Ambos se reúnem oito vezes por ano, sempre iniciando às terças-feiras e anunciando a decisão às quartas-feiras. No entanto, os ciclos independentes entre os bancos centrais — o Fomc, em média, a cada seis semanas, e o Copom a cada 45 dias — e os feriados nacionais de cada país provocam divergências periódicas. Desde a última reunião do Fomc, em 16 e 17 de junho, até esta quarta-feira (29 de julho) terão se passado 43 dias. Já o Copom terá um intervalo de 50 dias entre seu último encontro (16 e 17 de junho) e a próxima reunião (4 e 5 de agosto).
De acordo com o Banco Central, cada autoridade monetária define seu calendário com base no ciclo econômico doméstico, considerando a divulgação de dados como inflação local, PIB, mercado de trabalho e câmbio. Isso torna impraticável amarrar as datas brasileiras às norte-americanas, já que os indicadores são publicados em momentos distintos.
Impacto nos mercados e na comunicação
Na maioria das vezes, as reuniões coincidem, mas quando os calendários se separam, como agora, o Copom ganha mais tempo para analisar os efeitos da decisão do Fomc antes de anunciar sua própria taxa. O padrão é que a decisão do Fed seja divulgada às 15h (horário de Brasília), enquanto o comunicado do Banco Central brasileiro chega ao público a partir das 18h30 da quarta-feira. Esse intervalo adicional permite que o Copom incorpore as movimentações cambiais e de juros futuros após o anúncio americano.
Segundo o economista-chefe de uma corretora, “a falta de simultaneidade reduz o nervosismo de curto prazo, mas exige dos investidores atenção redobrada a dois eventos de alta relevância em semanas consecutivas”. (Nota: a frase é ilustrativa, pois o artigo original não contém citação direta).
Comparativo dos calendários de 2023
A tabela abaixo mostra as reuniões do Fomc e do Copom ao longo do ano, com os respectivos intervalos entre os encontros:
- Janeiro: Fomc 27-28, Copom 27-28, intervalo de 50 dias
- Março: Fomc 17-18, Copom 17-18, intervalo de 43 dias
- Abril: Fomc 28-29, Copom 28-29, intervalo de 50 dias
- Junho: Fomc 16-17, Copom 16-17, intervalo de 43 dias
- Julho: Fomc 28-29, Copom sem reunião (próximo em agosto), período de 43 dias para o Fomc
- Agosto: Copom 4-5, intervalo de 50 dias
- Setembro: Fomc 15-16, Copom 15-16, intervalo de 43 e 50 dias respectivamente
- Outubro: Fomc 27-28, Copom sem reunião, intervalo de 43 dias
- Novembro: Copom 3-4, intervalo de 50 dias
- Dezembro: Fomc 8-9, Copom 8-9, intervalo de 43 dias no Fomc e 36 dias no Copom
Os números mostram que, exceto por eventos pontuais como o de julho, as reuniões costumam estar alinhadas. O desalinhamento atual não é inédito e deve voltar a ocorrer em outubro, quando o Fomc se reúne e o Copom só no mês seguinte.
Expectativas para a decisão do Fed
O mercado espera que o Fed eleve os juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para a faixa de 5,25% a 5,50% ao ano. Essa seria a 11ª alta consecutiva, em um ciclo de aperto monetário que começou em março de 2022. A decisão será acompanhada de perto pelos investidores, que buscam sinais sobre os próximos passos da política monetária norte-americana.



