Sucessão empresarial: ter apenas um sucessor é aposta arriscada
Sucessão empresarial: ter só um sucessor é arriscado

Preparar apenas um sucessor para o comando de uma empresa é uma estratégia que envolve riscos elevados, segundo Márcio Alaor de Araújo, especialista em governança corporativa. Em artigo publicado no Valor Econômico, ele argumenta que a concentração de expectativas em uma única pessoa pode comprometer a continuidade e a sustentabilidade do negócio.

Por que ter um único sucessor é arriscado?

Araújo destaca que o sucessor único pode enfrentar pressão excessiva, falta de apoio ou até mesmo desistir do cargo. Além disso, imprevistos como problemas de saúde, mudanças de interesses ou conflitos familiares podem inviabilizar o plano sucessório. Dados de pesquisas indicam que cerca de 60% das empresas familiares não sobrevivem à terceira geração, muitas vezes devido à má gestão da sucessão.

Diversificação como chave para o sucesso

O autor recomenda que as empresas desenvolvam uma “bancada” de vários candidatos potenciais, com perfis e competências complementares. Isso não apenas reduz o risco de falha, mas também estimula a competição saudável e a preparação de líderes mais qualificados. “Ter apenas um sucessor é como apostar todas as fichas em uma única jogada”, afirma Araújo. “O ideal é formar um grupo de sucessores em potencial, cada um com desenvolvimento específico.”

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impactos na governança e na cultura organizacional

A ausência de múltiplas opções sucessórias pode levar a uma sucessão abrupta, sem o devido alinhamento estratégico. Isso gera instabilidade para funcionários, clientes e investidores. Empresas que investem em programas de desenvolvimento de lideranças, com avaliações periódicas e feedback estruturado, tendem a ter transições mais suaves e maior longevidade.

Casos reais e lições aprendidas

Araújo cita exemplos de empresas brasileiras que enfrentaram crises sucessórias por dependerem de um único herdeiro. Em muitos casos, a saída foi buscar profissionais externos, o que pode gerar resistência cultural. A recomendação é começar o planejamento com antecedência mínima de cinco a dez anos, envolvendo a família e conselheiros independentes.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar