O Partido Republicano permanece dividido internamente sobre a estratégia para a eleição presidencial de 2026, com uma ala defendendo o apoio ao PL (Partido Liberal) e outra preferindo candidatura própria ou aliança com outra sigla. A indefinição foi exposta em reunião da executiva nacional realizada na última quinta-feira, em Brasília, que durou mais de quatro horas e terminou sem consenso.
Divergências na cúpula partidária
Segundo fontes presentes, o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), defendeu a manutenção da aliança com o PL, com quem o partido já governa em coalizão em vários estados. No entanto, o senador Eduardo Girão (CE) liderou a ala contrária, argumentando que o partido precisa de identidade própria e deveria lançar candidato próprio ao Planalto. “Não podemos ser apenas um apêndice de outro partido. Temos quadros preparados para disputar a presidência”, afirmou Girão durante o encontro, segundo relatos.
A divisão reflete as diferentes correntes dentro da sigla: uma mais alinhada ao bolsonarismo e outra que busca um perfil mais independente. O Republicanos faz parte da base do governo federal, mas nos últimos meses cresceram as críticas internas à condução da política econômica.
Pesquisas e cenário eleitoral
Pesquisa Datafolha divulgada em junho de 2026 mostra que o Republicanos tem 4% das intenções de voto em cenário espontâneo para presidente, enquanto o PL aparece com 22%. Em um eventual segundo turno entre Lula (PT) e um candidato do PL, o Republicanos poderia ser decisivo para o arco de alianças. A executiva do partido encomendou um levantamento interno para avaliar o melhor posicionamento, com resultados esperados para agosto.
O impasse também atinge as eleições estaduais. Em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, diretórios do Republicanos já fecharam apoio ao PL, enquanto em Minas Gerais e Bahia há forte pressão por candidaturas próprias ao governo.
Próximos passos
A decisão final sobre o apoio presidencial será tomada em convenção nacional marcada para outubro. Até lá, a cúpula do partido tentará costurar um acordo. O presidente Marcos Pereira afirmou, em nota, que “o partido está unido em torno do objetivo de fortalecer o Republicanos e contribuir para o desenvolvimento do Brasil, mas o debate interno é natural e saudável”.
Analistas políticos apontam que a indefinição pode enfraquecer o partido nas negociações com outras legendas. “Quanto mais tempo o Republicanos demorar para definir seu rumo, menor será seu poder de barganha”, avaliou o cientista político Carlos Melo, do Insper.
Enquanto isso, o PL já iniciou conversas com outros partidos do centrão para ampliar sua base. O Republicanos, com 38 deputados federais e 3 senadores, é considerado um aliado estratégico para 2026.



