O jornal O GLOBO realizou um teste prático com uma ferramenta de inteligência artificial para criar um jingle político de um candidato fictício, demonstrando a facilidade com que é possível produzir conteúdo musical sem qualquer conhecimento prévio na área. Em poucos minutos, surgiu a canção de pagode do personagem “Joãozinho da Galera”, ilustrando o potencial e os riscos da tecnologia nas eleições.
Popularização de ferramentas de IA e disseminação de conteúdo
A popularização de ferramentas de IA generativa, como as que criam áudio e vídeo, tem levado a uma disseminação de conteúdos políticos sintéticos nas redes sociais. Isso representa um novo desafio para a Justiça Eleitoral, que precisa coibir a desinformação e garantir a transparência no processo eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já impôs regras específicas para o uso de IA nas campanhas, exigindo que qualquer conteúdo gerado por inteligência artificial seja claramente identificado como tal.
Regras do TSE para uso de IA em campanhas
De acordo com as resoluções do TSE, os candidatos e partidos devem informar explicitamente quando utilizarem IA para criar peças de campanha. Além disso, é proibido o uso de deepfakes e de conteúdos que possam simular a voz ou imagem de pessoas reais sem autorização, especialmente nos períodos próximos às eleições. A medida visa evitar a propagação de informações falsas e proteger a integridade do pleito.
O teste prático: criação do jingle “Joãozinho da Galera”
No experimento realizado por O GLOBO, a ferramenta de IA gerou um jingle no estilo pagode com letra simples e repetitiva, típica de campanhas populares. O processo levou menos de cinco minutos e não exigiu habilidades musicais. O resultado foi uma melodia cativante que poderia facilmente ser compartilhada em aplicativos de mensagens e redes sociais.
“A facilidade de criar um jingle político com IA é impressionante. Em segundos, você tem uma música pronta para ser usada, o que antes demandava horas de estúdio e custos elevados”, afirmou o jornalista responsável pelo teste.
Impacto na Justiça Eleitoral e no combate à desinformação
A agilidade na produção de conteúdos sintéticos preocupa especialistas em direito eleitoral. “A IA pode ser usada tanto para fins lícitos, como criar jingles personalizados, quanto para práticas abusivas, como difundir mensagens enganosas. A fiscalização se torna mais complexa”, alertou um advogado especializado na área.
O TSE já estuda mecanismos para detectar automaticamente conteúdos gerados por IA, mas a tecnologia avança mais rápido que a regulamentação. Enquanto isso, a orientação é que eleitores mantenham senso crítico ao consumir material de campanha, especialmente em períodos de alta polarização.



