Número de urna do PT gera crise entre Lindbergh, Freixo e Quaquá no Rio
Número de urna do PT opõe Lindbergh e Freixo a Quaquá

A disputa pelo número de urna do PT no Rio de Janeiro escalou para um novo capítulo da crise interna no diretório estadual. O conflito, que envolve os deputados federais Lindbergh Farias e Marcelo Freixo contra o presidente estadual do partido, Washington Quaquá, agora chegou ao diretório nacional. Aliados do presidente Lula formalizaram uma queixa contra uma decisão da comissão Executiva estadual, questionando a forma como o número 13 foi tratado para o pleito municipal de 2024.

O número 13, que identifica o PT na urna eletrônica, é o símbolo máximo da legenda. Na eleição majoritária, aparece sozinho; na proporcional, dá origem à sequência de dígitos de cada candidato. No Rio, esse número virou o centro de uma disputa política que opõe duas visões estratégicas: a que defende uma candidatura própria e a que prefere ampliar o leque de alianças.

O que está em jogo

Lindbergh Farias, ex-senador e atual deputado federal, e Marcelo Freixo, também deputado federal e ex-candidato ao governo estadual, representam o grupo ligado à estratégia nacional de Lula. Eles têm defendido a construção de alianças para as eleições na capital, inclusive com o prefeito Eduardo Paes, do PSD. Já Quaquá, que preside o PT-RJ, lidera a ala que quer uma chapa pura da sigla, usando o número 13 como bandeira identitária.

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A queixa enviada ao diretório nacional não detalha todos os pontos, mas questiona uma decisão da comissão Executiva estadual que, na avaliação do grupo, teria favorecido uma das correntes. O documento alega falta de transparência e afirma que o ato não respeitou as instâncias de deliberação partidária.

Entenda a crise no diretório carioca

A crise no Rio não é inédita. Em 2020, o PT já viveu um racha semelhante, quando decidiu apoiar um candidato de outro partido na capital, o que gerou insatisfação na militância. Agora, a disputa é agravada pelo protagonismo de nomes nacionais. A aliança de Lindbergh e Freixo em torno do projeto de Lula coloca em xeque a liderança de Quaquá, que busca se firmar como principal voz da legenda no estado.

O número 13 é um patrimônio político acumulado ao longo de quatro décadas. Fundado em 10 de fevereiro de 1980, o PT acabou adotando o numeral 13 por causa da ordem de registro dos partidos na Justiça Eleitoral. Desde então, ele se tornou unanimidade entre os filiados e é reconhecido pelo eleitor como a marca da legenda. Por isso, a briga pelo seu uso é, na prática, a briga pelo comando da legenda.

A queixa no diretório nacional

No documento, os aliados de Lula pedem que a direção nacional intervenha no caso para anular ou revisar a decisão da executiva estadual. Eles argumentam que uma questão estratégica tão importante não pode ser decidida sem um amplo debate interno. A expectativa é que o diretório nacional analise a queixa em uma reunião nos próximos dias, o que deve definir os rumos da disputa.

Enquanto isso, o clima entre os grupos é de tensão. Em redes sociais, aliados de Quaquá e de Lindbergh/Freixo trocam acusações, e a crise começou a aparecer em matérias da imprensa. O caso já chegou ao conhecimento do presidente Lula, que, segundo reportagens, vem monitorando a situação para evitar um rompimento público.

Impacto na campanha municipal

Se o diretório nacional não conseguir arbitrar o conflito, o PT no Rio pode sofrer as consequências nas urnas. Uma legenda dividida tende a perder força, tanto na campanha majoritária quanto na proporcional. No cenário de coligação, a indefinição sobre quem usará o número 13 — e quem será o candidato — pode atrasar a formação de palanques e a definição de apoios.

O caso também é um teste para a capacidade de Lula de controlar as dissidências no partido. O presidente tem se esforçado para apresentar o PT como um partido unido, mas episódios como o do Rio mostram que as disputas regionais continuam vivas. A decisão sobre o número 13 terá efeitos não apenas no estado, mas também na imagem do PT no cenário nacional.

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