O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes comparou a Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, ao que chamou de 'punitivismo inebriado' da Lava-Jato, gerando reação imediata do senador Sergio Moro. A troca de farpas ocorre em meio a críticas sobre o uso da delação premiada e a condução das investigações.
Comparação de Gilmar Mendes
Durante evento, Gilmar Mendes afirmou que a Operação Compliance Zero repete 'práticas autoritárias' da Lava-Jato, como o uso indiscriminado de delações premiadas e vazamentos seletivos. O ministro criticou a falta de transparência e o que chamou de 'espetacularização' das investigações. Para Mendes, o caso Master apresenta 'contornos preocupantes' que lembram os excessos cometidos pela força-tarefa de Curitiba.
Resposta de Sergio Moro
O senador Sergio Moro, ex-juiz da Lava-Jato, rebateu as declarações chamando-as de 'ladainha'. Em nota, Moro defendeu a manutenção das prisões preventivas dos envolvidos no caso Banco Master, argumentando que a operação é legítima e baseada em provas robustas. 'As críticas são infundadas e visam desacreditar o trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal', declarou.
Moro também destacou que a Lava-Jato foi um marco no combate à corrupção no Brasil e que comparações com a operação atual são 'inadequadas e desrespeitosas'. Ele ressaltou que as delações premiadas, quando usadas com responsabilidade, são instrumentos eficazes para desmantelar esquemas criminosos.
Posicionamento de André Mendonça
O ministro da Justiça, André Mendonça, saiu em defesa da Operação Compliance Zero, classificando o caso Master como tendo 'contornos de máfia'. Mendonça afirmou que as investigações seguem estritamente a lei e que não há qualquer semelhança com os supostos abusos da Lava-Jato. 'A sociedade pode confiar nas instituições', completou.
A troca de acusações expõe as divisões no Judiciário e no Legislativo sobre os métodos de combate à corrupção. Enquanto Gilmar Mendes pede moderação e transparência, Moro e Mendonça defendem a firmeza das ações contra crimes financeiros e de colarinho branco.
O caso Banco Master segue em andamento, com desdobramentos que prometem manter o debate acirrado nos próximos meses.



