A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está reorganizando sua atuação política após uma crise com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que resultou em sua saída da presidência do PL Mulher. Sem a estrutura formal do partido, ela busca preservar sua influência entre o público feminino e evangélico por meio de uma estratégia que inclui apoio a candidatas, articulação com igrejas e o movimento conservador 'Imparáveis'.
Ruptura com Flávio Bolsonaro e saída do PL Mulher
A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro tornou-se pública nas últimas semanas, culminando com o afastamento dela da presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023. A ex-primeira-dama não detalhou publicamente os motivos da ruptura, mas aliados próximos afirmam que houve divergências sobre a condução do segmento feminino do partido e a estratégia eleitoral para 2026. Flávio, presidente do PL no Rio de Janeiro, teria centralizado decisões, limitando a autonomia de Michelle.
Nova estratégia: candidatas, igrejas e 'Imparáveis'
Sem cargo formal no partido, Michelle agora foca em três pilares: o lançamento e apoio de candidatas mulheres alinhadas ao conservadorismo; a aproximação com lideranças evangélicas e igrejas; e o movimento 'Imparáveis', criado por ela em 2023 para mobilizar mulheres em causas sociais e políticas. A iniciativa já conta com eventos em pelo menos cinco estados e pretende expandir para todas as regiões do país até o fim do ano.
Influência entre evangélicos e mulheres conservadoras
Michelle sempre teve forte apelo entre evangélicos, segmento que representa cerca de 30% do eleitorado brasileiro. A ex-primeira-dama é membro da Igreja Batista e frequentemente participa de cultos e eventos religiosos. Com a nova estratégia, ela busca capitalizar essa base sem depender da estrutura partidária. 'Michelle tem uma conexão genuína com as mulheres evangélicas, e isso não depende de cargo', afirmou uma fonte próxima à ex-primeira-dama, que pediu anonimato.
Impacto eleitoral e futuro político
A reorganização de Michelle ocorre em um momento crucial para as eleições de 2026. Embora não tenha confirmado candidatura própria, analistas políticos apontam que ela pode se tornar uma força independente dentro da direita brasileira. 'Ela está construindo uma rede própria, o que pode tanto fortalecer quanto fragmentar o campo conservador', avaliou o cientista político Carlos Melo, do Insper. O movimento 'Imparáveis' já registrou mais de 50 mil participantes em eventos online e presenciais desde sua criação.
A ex-primeira-dama também intensificou o uso de redes sociais para divulgar suas ações, com foco em temas como família, fé e liberdade religiosa. Em uma postagem recente, ela escreveu: 'As mulheres não precisam de cargos para fazer a diferença. Precisam de propósito e união.'



