O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, afirmou nesta quinta-feira (23) que o mercado financeiro está disposto a comprar a tese de um ajuste fiscal no Brasil, independentemente do resultado das eleições presidenciais de 2026. A declaração foi feita durante evento promovido pelo banco BTG Pactual.
Confiança no ajuste fiscal
Segundo Serra, a percepção do mercado é de que, após o pleito, haja um movimento de consolidação fiscal, seja qual for o vencedor. “O mercado está olhando para o Brasil e vendo que, independentemente de quem ganhe a eleição, a tese de um ajuste fiscal será comprada”, disse. Ele destacou que investidores estão atentos aos sinais de compromisso com a responsabilidade fiscal.
O diretor do BC ressaltou que a trajetória da dívida pública é uma das principais preocupações dos agentes financeiros. “O mercado quer ver um plano crível de estabilização da dívida. Isso é fundamental para a ancoragem das expectativas”, explicou.
Cenário econômico e eleitoral
Bruno Serra também comentou sobre o cenário econômico atual, mencionando que a inflação sob controle e a recuperação do crescimento são fatores que contribuem para a confiança do mercado. No entanto, ele alertou que ruídos políticos podem gerar volatilidade de curto prazo.
“O Brasil tem fundamentos sólidos, mas a incerteza eleitoral sempre traz alguma turbulência. Acredito que, passado o processo eleitoral, o foco retornará para a agenda fiscal”, afirmou.
Impacto nas expectativas
A declaração de Serra ocorre em meio a debates sobre a sustentabilidade fiscal do país. Dados do Tesouro Nacional indicam que a dívida bruta do governo geral atingiu 78% do PIB em maio, acima da média dos emergentes. Para Serra, é essencial que o próximo governo apresente um plano de ajuste consistente.
“O mercado não está pedindo um ajuste draconiano, mas sim um compromisso com a trajetória de queda da dívida. Isso pode ser feito por meio de reformas estruturais e controle de gastos”, pontuou.
Reação do mercado
Após a fala de Bruno Serra, o mercado financeiro reagiu positivamente. O Ibovespa fechou em alta de 1,2%, e o dólar comercial caiu 0,8%, cotado a R$ 5,20. Analistas avaliam que a sinalização do BC ajuda a reduzir a aversão ao risco.
“A fala de Serra reforça a visão de que, independentemente do resultado eleitoral, haverá um esforço fiscal. Isso é bom para os ativos brasileiros”, comentou o economista-chefe de uma corretora, que preferiu não ser identificado.



