O pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas do Brasil, estabeleceu uma condição clara para continuar apoiando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Senado pelo Rio de Janeiro: a desistência de Michelle Bolsonaro de concorrer ao mesmo cargo. A informação foi revelada por fontes próximas ao pastor, que afirmam que Malafaia não aceitaria ver a ex-primeira-dama disputando a mesma vaga que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O racha na direita carioca
Nos bastidores, o movimento de Michelle Bolsonaro tem gerado incômodo entre aliados de Flávio. Desde que começou a articular sua candidatura ao Senado, Michelle passou a ser vista como uma ameaça direta ao projeto político do filho mais velho de Bolsonaro. Malafaia, que sempre foi um dos maiores apoiadores da família, vê com maus olhos a possibilidade de uma disputa interna que poderia enfraquecer a direita no estado.
“O pastor deixou claro que, se Michelle for candidata, ele não apoiará Flávio. Para ele, a união do grupo é mais importante do que qualquer ambição individual”, afirmou uma fonte que acompanha as negociações. A declaração acendeu um alerta no entorno de Flávio, que já enfrenta resistência dentro do próprio partido.
O peso do apoio de Malafaia
Silas Malafaia é uma figura central no eleitorado evangélico, segmento que representa cerca de 30% do eleitorado nacional. Nas eleições de 2022, seu apoio foi decisivo para a vitória de diversos candidatos bolsonaristas. Para Flávio, perder esse respaldo poderia significar uma queda significativa em suas intenções de voto, especialmente em um estado como o Rio de Janeiro, onde a influência das igrejas evangélicas é forte.
“Malafaia tem capilaridade e capacidade de mobilização que poucos líderes têm. Se ele retirar o apoio, Flávio terá que buscar novos aliados, o que não será fácil”, analisa o cientista político César Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Michelle Bolsonaro: a incógnita
A ex-primeira-dama, por sua vez, ainda não confirmou oficialmente sua candidatura. Em entrevistas recentes, ela disse estar “avaliando” a possibilidade, mas aliados próximos garantem que ela já iniciou conversas com partidos e lideranças. Michelle tem se destacado como uma oradora carismática e conquistado simpatia entre as mulheres evangélicas, o que a torna uma concorrente de peso.
“Michelle tem um potencial de voto enorme, principalmente entre o público feminino e religioso. Se ela decidir entrar, a briga será acirrada”, avalia a analista política Mariana Costa.
O cenário eleitoral no Rio
O Rio de Janeiro terá uma das disputas mais acirradas ao Senado em 2026. Além de Flávio e Michelle, outros nomes como o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) e o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) também são cotados. A fragmentação da direita pode beneficiar candidatos de esquerda e centro, que já miram o eleitorado descontente.
Enquanto isso, Jair Bolsonaro tenta manter a unidade da família. Em conversas reservadas, o ex-presidente teria dito que “não vai escolher entre um filho e a esposa”, mas que espera que ambos cheguem a um acordo. A pressão, no entanto, aumenta à medida que o prazo para as convenções partidárias se aproxima.
O impasse expõe as fragilidades de um grupo que, até então, parecia coeso. Para Malafaia, a decisão final caberá a Flávio: se ele não conseguir convencer Michelle a recuar, terá que enfrentar a eleição sem um de seus principais cabos eleitorais.



