O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensifica, nos próximos dias, uma série de visitas a Mato Grosso do Sul e Santa Catarina — dois estados onde Jair Bolsonaro venceu nas eleições de 2022. A ofensiva ocorre a pouco mais de uma semana do prazo final para que pré-candidatos participem de inaugurações de obras, um movimento estratégico para reduzir o antipetismo e reforçar o apoio a aliados locais.
Estratégia em redutos bolsonaristas
Segundo integrantes do Palácio do Planalto, a iniciativa busca diminuir a rejeição ao PT em regiões onde o partido tradicionalmente tem baixa penetração. Pesquisas internas do governo mostram que o antipetismo caiu no Centro-Oeste e no Norte, mas permanece elevado no Sul do país. Lula, então, resolveu apostar em agendas de governo para tentar reverter esse cenário.
Em Mato Grosso do Sul, o presidente deve relançar as obras de uma fábrica de fertilizantes em Três Lagoas, projeto que estava paralisado. Já em Santa Catarina, o foco será a retomada de investimentos na indústria naval, especialmente em Itajaí e Navegantes. As duas áreas são consideradas prioritárias para a geração de empregos e desenvolvimento regional.
Agenda cheia até o prazo final
O prazo para que pré-candidatos participem de inaugurações de obras se encerra no dia 5 de julho, conforme a legislação eleitoral. Até lá, Lula ainda tem compromissos na Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, e eventos na Bahia, seu estado de origem. A ideia é maximizar a exposição em palanques eleitorais sem ferir as regras.
“O presidente está focado em mostrar que o governo está presente em todas as regiões, inclusive naquelas onde o eleitorado é mais crítico ao PT. As inaugurações são uma forma de demonstrar resultados concretos”, afirmou um assessor presidencial que pediu anonimato.
Impacto político e econômico
As visitas a Mato Grosso do Sul e Santa Catarina também têm um componente econômico importante. No setor de fertilizantes, o Brasil depende de importações, e a retomada da fábrica em Três Lagoas pode reduzir essa dependência. Já a indústria naval catarinense, que enfrentou anos de crise, pode ganhar novo fôlego com encomendas públicas.
Para analistas políticos, a estratégia de Lula é arriscada, mas necessária. “O antipetismo no Sul é histórico e não será revertido com algumas visitas. No entanto, o presidente pode conseguir melhorar a avaliação do governo e ajudar candidatos aliados em eleições proporcionais”, avaliou o cientista político Carlos Melo, do Insper.
Com a proximidade do prazo eleitoral, a tendência é que Lula acelere o ritmo de viagens. A expectativa no Planalto é que, até o dia 5 de julho, o presidente participe de pelo menos mais cinco eventos de inauguração em diferentes estados.



