Lula prioriza Bahia e Ceará contra ACM Neto e Ciro em 2026
Lula prioriza Bahia e Ceará contra ACM Neto e Ciro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao núcleo político que a Bahia e o Ceará sejam tratados como prioridade absoluta no planejamento de ações do governo federal. Os dois estados, que somam cerca de 18,5 milhões de eleitores — dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) —, vivem momentos políticos distintos, mas igualmente desafiadores para o PT. Na Bahia, o principal adversário é ACM Neto, presidente estadual do União Brasil e ex-prefeito de Salvador; no Ceará, a disputa passa pela volta de Ciro Gomes, ex-governador e hoje no PDT, como possível cabeça de chapa em 2026.

Cenário eleitoral pressiona Planalto

Interlocutores do governo reconhecem, nos bastidores, que as eleições municipais de 2024 expuseram a fragilidade do PT em cidades estratégicas. Em Salvador e Fortaleza, as legendas petistas perderam espaço político no segundo turno, abrindo brecha para articulações de ACM Neto e Ciro Gomes. A avaliação de cientistas políticos ouvidos é que, sem uma presença federal forte nos dois estados, o partido pode perder as governadorias em 2026 — hoje ocupadas por petistas, Jerônimo Rodrigues na Bahia e Elmano de Freitas no Ceará.

A resposta de Lula tem sido prática: aumento de liberações de emendas, contratos de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e viagens presidenciais frequentes. Somente nos últimos dois meses, Lula visitou Salvador e Fortaleza duas vezes, anunciando investimentos em infraestrutura, saúde e educação. A linha é evitar que ACM Neto e Ciro Gomes capitalizem descontentamento antes do registro das candidaturas.

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Bahia: a força eleitoral nas mãos de ACM Neto

ACM Neto desponta como o nome mais consolidado da oposição para o governo baiano. Ele governou Salvador por três gestões e foi reeleito com alta aprovação. Pesquisas internas citadas por dirigentes partidários indicam que o ex-prefeito já lidera a sucessão estadual, mesmo sem declarar candidatura. O histórico recente joga a favor do PT: Lula obteve na Bahia, em 2022, mais de 70% dos votos válidos no segundo turno, conquista que surfou na popularidade do então candidato e no apoio do governador Jerônimo Rodrigues.

Porém, a rejeição ao atual governo estadual tem crescido, especialmente após crises de segurança e paralisação em obras do metrô de Salvador. Para conter essa danificação, Lula já indicou a liberação de R$ 1,2 bilhão em recursos para o estado, com foco em mobilidade urbana e da Polícia Rodoviária Federal. Na semana passada, o ministro da Casa Civil, também nordestino, esteve em Salvador com a pauta do novo hospital federal.

Ceará: a sombra de Ciro Gomes

No Ceará, o desafio petista é mais complexo. Embora o PT tenha governado o estado em aliança com o PDT nos últimos anos, a aliança se rompeu durante o processo eleitoral de 2022, quando Ciro Gomes saiu candidato a presidente ao lado de Lula, mas depois criticou publicamente a coalizão. Ciro continua sendo hoje um dos nomes presidenciáveis para 2026 e também é cotado para concorrer ao governo cearense, o que seria um duelo direto contra o atual governador Elmano de Freitas.

Dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará mostram que a popularidade de Lula no estado segue altíssima — acima de 60% em todas as regiões. Porém, o voto em cargos locais não se traduz automaticamente na escolha dos candidatos. Ciro Gomes mantém forte identificação com os eleitores do Interior, especialmente os mais pobres, graças a programas como o Ceará Sem Miséria. Para reduzir esse efeito, o Planalto aposta na retomada das obras hidrícas e do polo mineral.

Articulação petista em dois planos

A estratégia do PT envolve duas frentes. A primeira é a financeira: garantir que os dois estados recebam recursos extraordinários, seja por meio de emendas de bancada ou de editais do novo PAC. A segunda é política: unir a base aliada para lançar chapas competitivas e impedir que dissidências internas fragilizem os palanques. No Ceará, o PT negocia com o PSD e o MDB para assegurar a reeleição de Elmano. Na Bahia, a prioridade é atrair partidos como o PP e o Solidariedade para a campanha de Jerônimo.

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Nos bastidores, petistas afirmam que Lula está pessoalmente acompanhando as pesquisas qualitativas dos dois estados e participará de lançamentos de obras no aniversário de Salvador, no fim de março. A ordem é não deixar ACM Neto nem Ciro Gomes ganharem espaço na televisão sem uma resposta imediata.

Impacto para o cenário nacional

O resultado dessas disputas terá eco direto na sucessão presidencial. A Bahia é o terceiro maior colégio eleitoral do país, e o Ceará, o quinto, o que significa um total de aproximadamente 18,5 milhões de votos para o primeiro turno. Se a oposição vencer em um desses estados, poderá tirar do PT o domínio quase absoluto do Nordeste — região decisiva para as chances de qualquer candidato à Presidência. Por isso, Lula não abre mão de uma performance forte nos dois estados.

Aliados do presidente veem a priorização como um risco calculado: desviar a atenção de outros redutos, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, pode cobrar um preço. Mas a leitura no Planalto é de que é preciso proteger a base onde a força do lulismo é maior. Segundo pessoas próximas, Lula planeja retornar à região pelo menos uma vez por mês até outubro de 2026, alternando entre os dois estados e incluindo também o Piauí, embora o foco principal esteja mesmo na Bahia e no Ceará.