O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa anunciou nesta quinta-feira (17) a desistência de sua pré-candidatura à Presidência da República. A decisão foi comunicada em nota oficial, na qual Barbosa cita a falta de apoio partidário e de condições para viabilizar a campanha como motivos principais.
Falta de apoio partidário
Em seu comunicado, Joaquim Barbosa afirmou que, apesar de ter recebido manifestações de apoio de diversos setores da sociedade, não conseguiu construir uma base partidária sólida para sustentar a candidatura. "Sem o respaldo de uma legenda forte e de uma estrutura mínima, não seria possível levar adiante um projeto de transformação do país", escreveu.
Barbosa, que foi relator do processo do mensalão e presidente do STF entre 2012 e 2014, vinha sendo cogitado como possível candidato por partidos de centro-direita e movimentos anticorrupção. No entanto, as negociações não avançaram para uma filiação formal.
Condições de campanha
O ex-ministro também destacou as dificuldades financeiras e logísticas para concorrer ao cargo. "Uma campanha presidencial exige recursos e uma máquina partidária que não estão ao meu alcance neste momento", declarou. Ele ressaltou que sua decisão foi tomada após "profunda reflexão" e que continuará atuando em causas cívicas e jurídicas.
Segundo apuração da reportagem, Barbosa havia sido procurado por pelo menos três partidos, mas as conversas não resultaram em acordo. Um dos dirigentes partidários ouvidos sob condição de anonimato afirmou que "a falta de experiência política partidária de Barbosa e sua postura independente dificultaram a negociação".
Impacto político
A desistência de Joaquim Barbosa altera o cenário das pré-candidaturas para 2026. Ele era visto como um nome forte para atrair eleitores descontentes com a polarização entre Lula e Bolsonaro. Pesquisas recentes indicavam que Barbosa tinha entre 6% e 9% das intenções de voto, segundo o Datafolha.
Analistas políticos avaliam que sua saída pode beneficiar candidatos de centro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a senadora Simone Tebet. "Barbosa representava uma alternativa de outsider com credibilidade jurídica. Sem ele, o eleitorado antipolarização pode se dispersar", comentou o cientista político Carlos Melo, do Insper.
Joaquim Barbosa encerra a nota afirmando que continuará "vigilante e atuante na defesa da democracia e do Estado de Direito". Ele não descartou apoiar algum candidato no futuro, mas disse que não há definição neste momento.



