Iniciativa de Temer traz propostas para debate eleitoral no Brasil
Iniciativa de Temer propõe plano de governo para debate

A política brasileira parece ter desistido de discutir o futuro. A poucos meses das eleições gerais, o País já conhece os nomes dos prováveis candidatos à Presidência da República. O que permanece desconhecido, entretanto, são os projetos que os postulantes à liderança da Nação têm para enfrentar os maiores problemas nacionais, ocupados que estão em explorar rejeições e estimular rancores que só atendem às suas próprias ambições.

Iniciativa de Temer reúne especialistas

Em contraste com esse deserto propositivo, é louvável a iniciativa do ex-presidente Michel Temer de reunir especialistas de diferentes áreas – como Marcos Lisboa, Nelson Jobim, Rubens Barbosa, Flávia Piovesan e Raul Cutait, entre outros – para elaborar o documento “Estrada para o Futuro”, um conjunto de propostas que muito apropriadamente podem ser lidas como um auspicioso plano de governo. Pode-se concordar ou discordar das ideias ali apresentadas. Pode-se questionar os diagnósticos e as prioridades dos autores. O que não se pode ignorar é o inestimável valor desse documento para o debate público.

Premissa simples e verdadeira

As propostas, encaminhadas por Temer a todos os pré-candidatos à Presidência da República, parte de uma premissa simples e verdadeira. Democracias que se pretendem maduras não devem ser movidas pela disputa entre indivíduos, mas pela competição entre projetos de país. O eleitor tem o direito de saber o que cada candidato pretende fazer com as contas públicas, a segurança, a educação, a saúde, a infraestrutura, a política externa e o meio ambiente. Sem isso, a campanha eleitoral transforma-se numa reles disputa de rejeições.

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Valor além do conteúdo

A relevância da iniciativa de Temer vai além de seu conteúdo. A “Estrada para o Futuro” evidencia a existência, no seio da sociedade civil, de quadros qualificados, de elevado espírito público, dispostos a pensar o País de forma republicana e racional. Economistas, juristas, educadores, especialistas em segurança, diplomatas, empresários e pesquisadores continuam produzindo diagnósticos e construindo soluções, não raro ao largo da gritaria que domina o debate político, em particular nas mídias digitais.

Conhecimento existe, falta ação

O Brasil não padece por falta de conhecimento sobre seus problemas, como o projeto “Brasil Adiante”, iniciativa deste jornal, tem provado. Há décadas, sabe-se que o desenvolvimento sustentável impõe responsabilidade fiscal. Sabe-se igualmente que a inflação penaliza sobretudo os mais pobres. Sabe-se que a educação básica continua sendo o principal entrave para a mobilidade social. Sabe-se que o crime organizado cresceu a tal ponto que se tornou uma ameaça à própria autoridade do Estado. Sabe-se que a produtividade medíocre compromete a competitividade do Brasil. Sabe-se, por fim, que os desafios ambientais e geopolíticos exigem visão estratégica. O que falta é transformar todo esse conhecimento em ação política.

Sociedade civil se mobiliza

É sintomático que instituições da sociedade civil estejam se mobilizando para discutir temas que deveriam ocupar o centro do debate público às vésperas da campanha eleitoral. Os principais pré-candidatos à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a começar pelo próprio incumbente, continuam obcecados em potencializar estratégias de polarização, não de união da sociedade em torno do bem comum. O País precisa de muito mais do que isso.

Contribuição merece valorização

Nenhum documento, por melhor que tenha sido elaborado, contém todas as respostas para todos os mais prementes problemas brasileiros. Nenhuma iniciativa isolada detém o monopólio das boas ideias. Mas toda contribuição séria ao debate nacional merece ser valorizada – e sempre será – por este jornal. A “Estrada para o Futuro” é uma delas.

Democracia ganha com projetos

A democracia brasileira ganhará muito quando os que disputam o voto e a atenção dos eleitores forem cobrados menos por suas identidades grupais e mais pela qualidade de seus projetos para o País. O Brasil necessita urgentemente que a eleição seja baseada em propostas responsáveis, metas mensuráveis e compromissos inequívocos com o bem-estar de todos os brasileiros. O culto à personalidade jamais levará o País a bom porto.

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