Uma análise inédita de mais de sete mil processos judiciais, utilizando inteligência artificial, mapeou a chamada “geopolítica” do Supremo Tribunal Federal (STF), revelando a existência de quatro blocos distintos de ministros. O levantamento, realizado pelo GLOBO, detalha como as afinidades e divergências entre os magistrados moldam as decisões da Corte.
Quatro grupos, um núcleo sólido
De acordo com a pesquisa, o grupo mais coeso é formado pelos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Este bloco, embora unido, é frequentemente isolado nas votações, sendo o menos numeroso e muitas vezes vencido. Os outros três blocos apresentam alianças mais fluidas, com destaque para ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que integram grupos de maior influência.
Metodologia e impacto
A inteligência artificial analisou padrões de votação, relatorias e posicionamentos em mais de sete mil processos, identificando as correlações e os alinhamentos entre os ministros. O estudo não apenas revela a dinâmica interna do STF, mas também oferece uma ferramenta para compreender como as decisões são influenciadas por essas alianças. “A pesquisa mostra que, apesar da imagem de unidade, o STF é um tribunal de alianças complexas”, afirmou uma fonte envolvida no levantamento.
Consequências para a jurisprudência
A identificação desses blocos pode ter implicações significativas para a previsibilidade das decisões judiciais. Enquanto o núcleo mais conservador tende a perder nas votações, os grupos mais fluidos podem formar maiorias em temas sensíveis, como direitos fundamentais e questões econômicas. O estudo também aponta que a ministra Cármen Lúcia e o decano Celso de Mello (aposentado) têm atuação que transcende os blocos, atuando como articuladores em momentos de impasse.



