Após 16 anos sob o governo de Viktor Orbán, a Hungria inicia um ambicioso processo de 'desorbanização' liderado pelo novo primeiro-ministro, Péter Magyar. A iniciativa busca reverter o controle estatal consolidado pelo partido Fidesz e inclui mudanças no sistema político, na imprensa estatal e o fortalecimento de órgãos anticorrupção.
Contexto da transição
Péter Magyar venceu as eleições de abril de 2026 com uma plataforma de reformas democráticas. Desde então, seu governo tem promovido medidas para desmantelar o legado de Orbán, que concentrou poder na mídia, no judiciário e em instituições-chave. A 'desorbanização' é vista como um passo crucial para a reaproximação com a União Europeia, que havia criticado repetidamente o retrocesso democrático na Hungria.
Principais reformas
Entre as ações já anunciadas estão a reestruturação da mídia estatal, com a nomeação de jornalistas independentes para cargos de direção, e o fortalecimento da Autoridade Nacional de Transparência, órgão anticorrupção que havia sido enfraquecido. Magyar também propôs emendas constitucionais para limitar o uso de decretos presidenciais e aumentar o controle parlamentar sobre o orçamento.
Especialistas consultados pela reportagem apoiam o processo, mas alertam para a necessidade de respeito às normas institucionais. 'A desorbanização é um movimento necessário, mas deve ser conduzida dentro do Estado de Direito, evitando perseguições políticas', afirmou o analista político Gábor Török, do Instituto de Pesquisa Húngaro.
Reações e desafios
A oposição, incluindo remanescentes do Fidesz, critica as reformas como uma 'caça às bruxas'. No entanto, pesquisas de opinião indicam que 62% dos húngaros apoiam as mudanças, segundo levantamento do instituto Median. A União Europeia, por sua vez, sinalizou que pode liberar fundos congelados caso as reformas avancem de forma consistente.
O governo Magyar enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade de mudanças rápidas com a estabilidade política. A 'desorbanização' deve se estender por pelo menos dois anos, com revisões periódicas do parlamento.



