O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou duramente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por seu apoio ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, após o anúncio de um novo pacote de tarifas comerciais norte-americanas que afeta diretamente o Brasil. Em declaração à imprensa nesta quinta-feira, Haddad classificou a postura de Tarcísio como 'ingênua' e expressou a esperança de que o governador reavalie sua posição diante dos prejuízos causados ao país.
O contexto do tarifaço
Os Estados Unidos impuseram novas tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio e carne bovina, elevando as barreiras comerciais e gerando um déficit na balança comercial bilateral. Segundo dados do Ministério da Economia, o Brasil registrou um saldo negativo de US$ 2,3 bilhões no primeiro semestre deste ano nas trocas com os EUA, agravado pelas medidas protecionistas de Trump. Haddad destacou que o apoio de Tarcísio a Trump contradiz os interesses nacionais.
Declarações de Haddad
'O governador Tarcísio foi ingênuo ao acreditar que Trump defenderia os interesses do Brasil. Espero que ele reavalie a sua posição e se una ao governo federal para enfrentar essa situação', afirmou Haddad. O ministro também criticou setores da direita que tentam culpar o governo Lula pelo impasse comercial, argumentando que a responsabilidade é das políticas protecionistas norte-americanas.
Até o momento, Tarcísio de Freitas não se pronunciou publicamente sobre as novas tarifas ou sobre a crítica de Haddad. Assessores do governador informaram que ele está analisando o impacto das medidas e deve se manifestar nos próximos dias.
Reações políticas
A declaração de Haddad acirrou o debate político. Deputados da oposição saíram em defesa de Tarcísio, enquanto a base governista apoiou a fala do ministro. O senador Eduardo Gomes (PL-TO) classificou a crítica como 'oportunista' e defendeu que o governo federal deveria negociar com Washington. Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) elogiou Haddad e pediu união nacional contra o protecionismo.
Impacto econômico
Especialistas apontam que as tarifas podem reduzir as exportações brasileiras em até US$ 5 bilhões neste ano, afetando principalmente os setores siderúrgico e agropecuário. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu nota alertando para o risco de perda de competitividade e solicitou que o governo busque alternativas de mercado, como acordos com a União Europeia e a China.



