O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com duras críticas ao aumento de tarifas comerciais imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, o Palácio do Planalto classificou a medida como 'lastimável' e afirmou que adotará medidas de reciprocidade caso não haja progresso nas negociações bilaterais.
Nota oficial critica família Bolsonaro
No documento, o governo brasileiro também direcionou críticas à família do ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando que membros do clã teriam colaborado com ações contrárias aos interesses nacionais. A nota não detalhou quais seriam essas ações, mas afirmou que 'a história registrará aqueles que se aliaram a interesses estrangeiros em detrimento do Brasil'.
Defesa do PIX e regulação digital
O comunicado ainda destacou a defesa do sistema de pagamentos instantâneos PIX e da regulação digital como pilares da soberania nacional. 'Proteger a soberania do Brasil é uma obrigação que está acima de partidos e governos', afirmou o texto, que foi distribuído pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência.
Segundo fontes do Itamaraty, o governo brasileiro já prepara uma lista de produtos norte-americanos que poderão sofrer sobretaxas caso as conversas não avancem. Entre os itens estão trigo, milho e tecnologias digitais. A expectativa é que as medidas sejam anunciadas nos próximos dias, após consulta ao setor produtivo.
Reação do mercado e próximos passos
O anúncio das tarifas pelos EUA gerou instabilidade no mercado financeiro brasileiro, com o dólar subindo 1,2% e a Bolsa recuando 0,8% no pregão de quarta-feira. Analistas avaliam que a retaliação pode elevar a inflação e prejudicar setores exportadores. 'A situação é delicada e exige cautela diplomática', avaliou o economista Carlos Alberto de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O governo Lula reafirmou que buscará o diálogo, mas não abrirá mão de defender os interesses nacionais. 'Não aceitaremos imposições unilaterais que prejudiquem o desenvolvimento do país', conclui a nota.



