O pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, tem priorizado viagens aos Estados Unidos em detrimento de visitas a estados-chave no Brasil, como os do Nordeste. Desde dezembro de 2025, o senador realizou ao menos quatro viagens a Washington e Nova York, enquanto esteve apenas uma vez em Pernambuco e nenhuma na Bahia. A estratégia, segundo aliados, visa sair das cordas das crises internas do Partido Liberal e fortalecer sua imagem internacional.
Viagens internacionais como estratégia de crise
Flávio Bolsonaro tem utilizado as idas aos EUA para se reunir com investidores e representantes do governo americano. Em uma das viagens, encontrou-se com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, para discutir as tarifas impostas a produtos brasileiros. O senador afirmou que o tarifaço americano pode dar uma vitória política ao presidente Lula, ao permitir que o governo brasileiro se posicione como vítima do protecionismo externo. "Se as tarifas forem mantidas, Lula vai usar isso para fortalecer seu discurso de soberania nacional e desviar a atenção dos problemas internos", declarou Flávio, em entrevista à Rádio CBN.
Críticas à ausência no Nordeste
A oposição tem criticado a falta de atenção de Flávio a regiões estratégicas para a eleição de 2026. O deputado federal André Janones (Avante-MG) afirmou que "Flávio Bolsonaro trata o Nordeste como se fosse um país estrangeiro, enquanto faz turismo político nos EUA". Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o Nordeste concentra 40% do eleitorado brasileiro, e a ausência de Flávio na região pode comprometer suas pretensões eleitorais. Em contrapartida, o presidente Lula já realizou três viagens ao Nordeste em 2026, inaugurando obras e participando de eventos.
Impacto do tarifaço na política brasileira
O tarifaço americano, que entrou em vigor em março, elevou em até 25% as tarifas sobre aço, alumínio e etanol brasileiros. Segundo o Ministério da Economia, a medida pode reduzir as exportações brasileiras para os EUA em até US$ 5 bilhões em 2026. Flávio Bolsonaro argumenta que Lula se beneficiará politicamente do tarifaço, pois poderá culpar os EUA pela desaceleração econômica. "O governo Lula vai usar isso para criar um inimigo externo e esconder a inflação e o desemprego", disse o senador. No entanto, analistas políticos apontam que a estratégia de Flávio de focar nos EUA pode ser arriscada, já que o eleitorado brasileiro valoriza a presença dos candidatos em seus estados.
Reações da campanha de Lula
A campanha de Lula já utiliza a situação para reforçar sua retórica de soberania nacional. Em nota, o Comitê Lula 2026 afirmou que "Flávio Bolsonaro prefere fazer lobby nos EUA a defender os interesses do povo brasileiro". A declaração foi acompanhada de um vídeo nas redes sociais mostrando Lula em eventos no Nordeste, contrastando com imagens de Flávio em aeroportos americanos. A pesquisa Datafolha de maio de 2026 mostra Lula com 48% das intenções de voto contra 32% de Flávio, mas a diferença cai para 10 pontos percentuais no Sudeste, onde Flávio tem atuado mais.
Próximos passos de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro planeja uma nova viagem aos EUA em julho, para participar de uma conferência de investidores em Miami. Aliados afirmam que ele deve intensificar as visitas a estados do Sul e Sudeste, mas ainda não há agenda confirmada para o Nordeste. O senador justifica a prioridade internacional como necessária para "construir pontes comerciais" e "evitar que o Brasil seja prejudicado por medidas protecionistas". Críticos, porém, veem a estratégia como uma tentativa de se distanciar das crises internas do PL, que enfrenta disputas entre alas moderadas e radicais.



