O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou duramente a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que o impede de se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por 90 dias. Em declaração à imprensa, Flávio afirmou que a medida representa uma tentativa de 'interferir nas eleições' e de 'perseguir a família Bolsonaro'.
Decisão de Moraes e contexto
O ministro Alexandre de Moraes determinou, na última segunda-feira (12), que Flávio Bolsonaro não poderá visitar ou manter contato com o pai, Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar, pelo período de três meses. A decisão foi tomada após Flávio divulgar uma carta escrita pelo ex-presidente, na qual Bolsonaro critica o sistema eleitoral e o próprio STF. Moraes também deu 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro esclareça se ele tinha conhecimento de que a carta seria publicada nas redes sociais.
Reação de Flávio Bolsonaro
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou: 'O ministro Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições, impedindo que eu me reúna com meu pai. Isso é uma perseguição política e uma tentativa de calar a voz da oposição.' Segundo o senador, a carta divulgada é um documento pessoal e não configura propaganda antecipada, como sugerem as investigações. 'Meu pai tem o direito de se expressar, e eu tenho o direito de conversar com ele. Essa decisão é arbitrária e ilegal', completou.
Investigação sobre propaganda antecipada
A decisão de Moraes faz parte de um inquérito que apura se Jair Bolsonaro cometeu crime de propaganda eleitoral antecipada ao permitir que a carta fosse divulgada. O documento, que circulou amplamente em grupos de WhatsApp e em outras plataformas, contém críticas ao sistema de votação eletrônica e ao STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também foi notificada para se manifestar sobre o caso. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a restrição de contato é uma medida cautelar incomum, mas justificada pela necessidade de evitar interferências no processo eleitoral.
Impacto político e reações
A decisão gerou reações imediatas no meio político. Deputados da oposição classificaram a medida como 'autoritária' e prometeram recorrer ao plenário do STF. Já aliados do governo defendem que Moraes age dentro da legalidade para garantir a lisura das eleições. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que 'o STF deve agir com equilíbrio, mas também com firmeza contra eventuais abusos'. A situação acirra ainda mais o clima político às vésperas das eleições de outubro, nas quais Jair Bolsonaro é pré-candidato à reeleição.



