Flávio Bolsonaro troca marqueteiro, mas precisa de um milagreiro
Flávio Bolsonaro troca marqueteiro, mas precisa de milagreiro

A coluna de Bernardo Mello Franco, publicada no GLOBO, expõe um cenário delicado na campanha do deputado estadual Flávio Bolsonaro. A troca do marqueteiro, anunciada recentemente, é interpretada pelo colunista como uma tentativa de conter os danos provocados pela revelação de diálogos com o empresário Vorcaro. No entanto, a avaliação central é de que o problema vai muito além da comunicação: falta um milagreiro, não apenas um novo estrategista.

A decisão de trocar o marqueteiro

Segundo a coluna, a decisão de substituir o responsável pelo marketing da campanha foi tomada em meio a um ambiente de crescentes crises. A revelação das conversas com Vorcaro, que vieram a público nas últimas semanas, expôs fragilidades que ultrapassam o campo publicitário. A troca, nesse contexto, seria uma resposta imediatista a um problema estrutural de imagem e de confiança.

Flávio Bolsonaro, que busca se consolidar no cenário político do Rio de Janeiro, enfrenta um desafio duplo: distanciar-se das controvérsias ligadas ao seu nome e, ao mesmo tempo, manter a base eleitoral fiel ao sobrenome que carrega. A coluna sugere que a simples mudança no comando de comunicação não será suficiente para reverter um quadro de desgaste progressivo.

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Crises em série desde a revelação dos diálogos

O texto aponta que a campanha do PL produz crises em série desde que os diálogos com Vorcaro vieram à tona. Cada nova informação divulgada parece gerar um novo ciclo de repercussão negativa, alimentando manchetes e pressionando a equipe de Flávio. A estratégia de comunicação, até então, não conseguiu apresentar uma narrativa capaz de neutralizar as suspeitas levantadas.

O colunista destaca que a revelação dos diálogos não é apenas um fato isolado, mas um elemento que reacende antigas desconfianças sobre a conduta do deputado. A repercussão negativa atinge não apenas a candidatura de Flávio, mas também o projeto político mais amplo do PL no estado, tornando a crise um problema coletivo.

O que esperar do novo marqueteiro

Diante de um cenário tão adverso, a pergunta que fica é: o que um novo marqueteiro poderia fazer de diferente? Para Bernardo Mello Franco, a resposta é pouco animadora. Sem uma mudança de postura e sem uma estratégia de enfrentamento das acusações de forma direta, qualquer profissional de marketing estará limitado. A coluna compara a situação a uma tentativa de maquiar um edifício com rachaduras estruturais: o problema continua lá, mesmo que a fachada seja reformada.

A avaliação de que “parece precisar de um milagreiro” reflete a dimensão do desafio. Não se trata apenas de melhorar a imagem, mas de reconstruir a credibilidade. Isso exige tempo, gestos concretos e, principalmente, uma postura transparente que ainda não foi demonstrada.

Repercussão política e impacto eleitoral

A coluna também aborda o impacto eleitoral dessa crise. Em um ambiente político marcado pela desconfiança do eleitor, cada episódio negativo tem o potencial de reduzir a margem de vantagem que Flávio Bolsonaro obteve em pesquisas anteriores. A campanha do PL, que apostava em um cenário mais tranquilo, agora se vê obrigada a atuar na defesa, em vez de apresentar propostas.

Aliados e correligionários observam com apreensão o desenrolar dos fatos. Há quem acredite que a troca do marqueteiro é apenas o primeiro passo de uma reformulação mais ampla, que pode incluir mudanças na coordenação da campanha e até na estratégia jurídica. No entanto, nada disso será eficaz se o núcleo do problema — as suspeitas levantadas pelos diálogos — não for devidamente esclarecido.

Conclusão: a necessidade de um milagre

Bernardo Mello Franco encerra sua coluna com uma reflexão incômoda para o time de Flávio Bolsonaro: a política moderna cobra respostas rápidas, mas a construção de confiança é um processo lento. A troca do marqueteiro pode até dar a impressão de que a campanha está reagindo, mas sem uma guinada substantiva na forma de lidar com as acusações, o milagre não virá.

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Ao fim, fica claro que a crise de Flávio Bolsonaro não é apenas de comunicação, mas de substância. E como lembra o colunista, nenhum marqueteiro é capaz de transformar, sozinho, um quadro de desgaste em vitória. Seria preciso, de fato, um milagreiro. Mas, até agora, não há sinais de que esse salvador esteja a caminho.