O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas durante um evento com diplomatas, ecoando a postura de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar da ausência de evidências que justifiquem a desconfiança, o discurso busca reenergizar sua base política e responde a denúncias recentes, segundo análise do colunista Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas na USP.
Comportamento persistente sem fundamentos
Ortellado destaca que o questionamento de Flávio não nasce de evidências concretas, mas sim de um comportamento persistente que visa manter viva a narrativa de fraude eleitoral. Essa postura, embora sem provas, é compartilhada por muitos brasileiros e reflete uma crença genuína que alimenta a estratégia política da família Bolsonaro.
O evento com diplomatas foi utilizado como palco para reforçar a desconfiança no sistema eleitoral brasileiro, mesmo após as eleições de 2022 terem sido consideradas seguras por organismos nacionais e internacionais. A Justiça Eleitoral já realizou diversas auditorias e testes públicos de segurança, que não apontaram fragilidades significativas.
Estratégia eleitoral e reação a denúncias
Segundo o colunista, a repetição do discurso contra as urnas tem um objetivo claro: reenergizar a base bolsonarista e desviar o foco de denúncias recentes que envolvem o senador. Flávio Bolsonaro é alvo de investigações no âmbito do caso das "rachadinhas" e de supostas irregularidades na carteira de vacinação contra a Covid-19.
Ao questionar as urnas, Flávio busca se alinhar ao discurso do pai, que sempre colocou em dúvida a lisura do processo eleitoral. Essa estratégia, no entanto, não encontra respaldo em fatos, mas sim em uma percepção difundida entre seus apoiadores.
Desconfiança persiste mesmo sem provas
A persistência da desconfiança nas urnas eletrônicas, mesmo diante da ausência de provas, é um fenômeno que preocupa especialistas. Para Ortellado, trata-se de uma crença que se retroalimenta: quanto mais se repete a suspeita, mais ela se enraíza no imaginário de parte da população.
O colunista ressalta que a postura de Flávio não é isolada, mas sim parte de um movimento maior que coloca em xeque a credibilidade das instituições democráticas. A falta de evidências, no entanto, não impede que o discurso ganhe força, especialmente em um contexto de polarização política.
Em suma, o questionamento de Flávio Bolsonaro às urnas é visto como uma estratégia política que busca manter sua base mobilizada e responder a pressões judiciais, sem qualquer fundamento técnico ou factual.



