EUA reúnem aliados contra 'terrorismo de esquerda'; Brasil é convidado
EUA reúnem aliados contra terrorismo de esquerda; Brasil convidado

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, recebe nesta quinta-feira (16) representantes de mais de 60 governos em Washington para uma reunião ministerial dedicada ao que o governo Trump classifica como "ressurgimento do terrorismo político de esquerda". O encontro ocorre em meio a críticas de especialistas, que questionam a caracterização de movimentos descentralizados como organizações terroristas.

Departamento de Estado alerta para ameaça transnacional

Segundo comunicado do Departamento de Estado, "o terrorismo político de extrema esquerda está ressurgindo, manifestando-se em atos terroristas violentos em todo o Hemisfério Ocidental, na Europa, na Ásia e em outras regiões". O órgão alega ainda que os EUA estão assumindo um papel de liderança no combate a essa ameaça. "Desde novembro de 2025, os Estados Unidos designaram quatro grupos violentos de extrema esquerda — Antifa Ost, a Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional (FAI/FRI), Justiça Proletária Armada e Autodefesa Revolucionária de Classe — como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados", afirma o texto.

Porta-voz detalha convites e participação do Brasil

Na semana passada, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, disse ao jornal "The Washington Post" que o evento foi organizado porque o terrorismo de extrema-esquerda é "uma antiga ameaça que ressurge com fortes ligações transnacionais". Pigott destacou ainda que foram convidados mais de 60 países de diversas regiões, incluindo a América Latina, a Europa e a Ásia. O Brasil foi convidado, mas não deu nenhum indicativo de que participaria do encontro.

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Antecedentes: a ofensiva de Trump contra a Antifa

Em 2025, Donald Trump assinou uma ordem executiva designando o movimento Antifa como organização terrorista. Ele havia prometido ações contra a esquerda após o assassinato do ativista de direita Charlie Kirk. Apesar disso, não há indícios do envolvimento de pessoas de esquerda na morte de Kirk — o principal suspeito do crime, Tyler Robinson, se diz um militante de extrema direita. A investida de Trump contra o Antifa também foi alvo de críticas, já que o consenso da ciência política é que o movimento não se articula como uma organização com comando central, mas por meio de ativistas que agem de forma independente.

Abreviação para antifascistas, o Antifa é um grupo internacional formado por correntes da esquerda e extrema esquerda. Especialistas em antiterrorismo argumentam que o grupo não existe como uma entidade organizada, mas há acusações de que os antifas tenham se envolvido em ataques armados nos EUA. Em março, a agência Reuters noticiou que o governo Trump estaria organizando uma cúpula internacional focada no combate aos Antifas e outros grupos.

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