O entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já admite que a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no regime 6x1 pode ser adiada para depois das eleições de outubro. A avaliação é de que o esvaziamento do Congresso Nacional às vésperas do pleito e a relação distante entre o presidente e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, são os principais impasses para a tramitação da matéria.
Esvaziamento do Congresso e foco eleitoral
Com a aproximação das eleições, os parlamentares estão cada vez mais voltados para suas campanhas, o que reduz o quórum e a disposição para votar matérias polêmicas. A PEC 6x1, que propõe alterar a escala de trabalho de seis dias de trabalho por um de descanso, é considerada uma das propostas mais sensíveis do governo, gerando debates acalorados entre trabalhadores e empregadores. Segundo fontes do Planalto, a estratégia de adiar a votação pode ser usada a favor de Lula na campanha, permitindo que o presidente critique o Congresso por não aprovar medidas de interesse popular.
Relação distante com Alcolumbre
Outro fator que contribui para o possível adiamento é a relação fria entre Lula e Alcolumbre. O presidente do Senado tem demonstrado independência em relação ao governo, e os diálogos sobre a pauta prioritária têm sido escassos. A falta de alinhamento dificulta a construção de uma base sólida para aprovar a PEC, que exige maioria qualificada de três quintos dos votos em ambos os turnos de votação.
Riscos de modificações após as eleições
Há também preocupação no governo de que, se a votação ocorrer após as eleições, o texto possa sofrer modificações significativas. Com a composição do novo Congresso, partidos de oposição podem ganhar força e tentar alterar a proposta, reduzindo seu alcance ou incluindo dispositivos que desagradam a base governista. Segundo um assessor palaciano, “a PEC 6x1 é uma prioridade do governo, mas o timing político é crucial. Se não houver condições agora, é melhor esperar do que aprovar um texto desfigurado”.
Estratégia eleitoral e críticas ao Congresso
A possibilidade de adiamento já é discutida nos bastidores como parte de uma estratégia eleitoral. Lula poderia usar o argumento de que o Congresso, dominado por forças conservadoras, está obstruindo as reformas trabalhistas em benefício dos trabalhadores. Isso ajudaria a mobilizar a base eleitoral e a reforçar o discurso de que o governo enfrenta resistências para implementar suas propostas. No entanto, a estratégia também traz riscos, pois pode ser vista como uma manobra para evitar desgastes antes da eleição.
Até o momento, não há data definida para a votação da PEC 6x1 no Congresso. O governo aguarda os desdobramentos políticos e a definição do calendário eleitoral para tomar uma decisão final.



