A corrida pela presidência do Conselho de Administração da Vale ganhou um novo capítulo com a aliança entre dois ex-adversários. A informação foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O movimento, que une figuras que historicamente estiveram em lados opostos, promete reconfigurar as forças dentro da mineradora e impactar as decisões estratégicas da companhia.
Os protagonistas da aliança
Os nomes envolvidos na articulação são de dois executivos que já rivalizaram em disputas anteriores pelo controle da empresa. Agora, eles decidiram somar forças para tentar comandar o conselho, órgão máximo de governança da Vale. A união é vista como uma tentativa de consolidar uma base de apoio sólida antes da assembleia de acionistas, prevista para ocorrer nos próximos meses.
De acordo com fontes próximas às negociações, a aliança foi costurada em encontros sigilosos nas últimas semanas. Os ex-adversários teriam deixado de lado as diferenças do passado para focar em um objetivo comum: garantir a presidência do conselho e, com isso, influenciar diretamente os rumos da mineradora, que é uma das maiores do mundo.
Impactos no mercado e na governança
A notícia da aliança já repercute entre investidores e analistas. A Vale, que tem o governo federal como um de seus principais acionistas por meio de participações indiretas, vive um momento de definições importantes. A escolha do presidente do conselho pode afetar desde a política de dividendos até decisões sobre investimentos em projetos de expansão e sustentabilidade.
“Essa união muda o jogo. Dois pesos-pesados que antes estavam em campos opostos agora caminham juntos, o que pode gerar uma estabilidade maior na gestão, mas também levanta questões sobre a concentração de poder”, afirmou um analista do setor, que preferiu não se identificar.
Próximos passos
A assembleia de acionistas que definirá a composição do conselho está marcada para o dia 30 de abril. Até lá, os ex-adversários devem intensificar as conversas com outros acionistas para angariar apoio. A expectativa é que a chapa encabeçada por eles enfrente concorrência de outros grupos, incluindo representantes de fundos de investimento e do governo.
A Vale não comentou oficialmente a movimentação. Procurada, a assessoria de imprensa da mineradora limitou-se a dizer que “a empresa acompanha o processo de escolha dos membros do conselho dentro dos prazos regimentais”.
Histórico de rivalidades
Os dois executivos que agora se unem têm um histórico de confrontos em assembleias passadas. Em 2021, por exemplo, eles estiveram em lados opostos na disputa pela indicação de conselheiros independentes. Na ocasião, a tensão chegou a atrasar a aprovação do balanço anual da companhia. Agora, a trégua surpreende até mesmo os mais próximos.
“É uma reviravolta que ninguém esperava. Mostra que, no mundo corporativo, as alianças são fluídas e os interesses podem se sobrepor às rivalidades pessoais”, comentou um consultor de governança corporativa.



