Cotada para ser vice na chapa de Flávio Dino (PSB) nas eleições de 2026, a economista Daniella Marques gerou polêmica ao afirmar que discorda da ideia de que mulheres sejam vítimas da sociedade. Em entrevista à Rádio CBN nesta terça-feira (21), ela declarou: "Não acredito que as mulheres sejam vítimas da sociedade. Temos que reconhecer nossos méritos e lutar por espaço, mas sem esse discurso de vitimização."
Repercussão imediata
A declaração de Daniella Marques, que foi secretária-executiva do Ministério da Economia no governo Bolsonaro, provocou reações imediatas. Nas redes sociais, militantes feministas e políticos de oposição criticaram a fala, classificando-a como "insensível" e "descolada da realidade". A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou: "Dizer que mulheres não são vítimas é ignorar dados de violência doméstica, desigualdade salarial e assédio. É um retrocesso."
Contexto político
Daniella Marques é um dos nomes cotados para compor a chapa de Flávio Dino, ex-governador do Maranhão e atual ministro da Justiça. A aliança entre o PSB e setores da centro-direita tem sido alvo de debates internos. A declaração de Daniella pode fortalecer a resistência de alas progressistas do partido, que já viam com ressalvas sua indicação. Pesquisas internas mostram que a rejeição à chapa cresceu 5% entre eleitoras mulheres após a fala, segundo fontes da campanha.
Posição de Daniella
Em sua fala, Daniella Marques argumentou que as mulheres devem focar em suas capacidades e não em supostas barreiras. "Sou exemplo de que é possível chegar a altos cargos sem precisar de cotas ou tratamentos especiais. A meritocracia funciona", disse. Ela também citou sua trajetória como economista e gestora pública, destacando que ocupou posições de destaque sem nunca se sentir vítima. A declaração foi criticada por entidades de direitos das mulheres, que apontam que a meritocracia ignora desigualdades estruturais.
Impacto na campanha
A polêmica ocorre em um momento crucial para a pré-campanha de Flávio Dino. O ex-governador busca consolidar alianças e ampliar seu eleitorado feminino, que representa 52% do eleitorado nacional. A declaração de Daniella pode dificultar essa aproximação. Analistas políticos avaliam que a fala pode ter sido um teste para medir a reação do público, mas o custo político pode ser alto. A campanha de Dino não se manifestou oficialmente sobre o caso.



