Crise na candidatura de Flávio Bolsonaro: pesquisas mostram queda
Crise na candidatura de Flávio Bolsonaro

A menos de cem dias para as eleições presidenciais, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta seu pior momento até aqui. A mais recente pesquisa de intenção de voto da Genial/Quest mostra que Flávio está em trajetória descendente e que seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está em ascensão. São tendências cuja reversão em tão pouco tempo não é algo trivial.

Vantagem de Lula e os desafios da oposição

Nada disso significa que a eleição esteja decidida em favor de Lula, mas não se pode ignorar que, na condição de incumbente, o petista tem as melhores armas para manter ou até ampliar sua vantagem. Além de ter uma base eleitoral sólida, dispõe da visibilidade que o cargo lhe confere e da máquina do Estado funcionando a pleno vapor a favor de sua reeleição.

Por essa razão, estamos nos aproximando de um momento crítico da corrida eleitoral. Se o objetivo da oposição é desalojar Lula da Presidência, impedindo mais um desastroso mandato petista, já passou da hora de discutir a sério se Flávio Bolsonaro é mesmo o nome ideal para essa tarefa. Sabemos que não é nem nunca foi.

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Limitações de Flávio Bolsonaro como candidato

Enquanto Flávio se mostrava bastante competitivo, suas inúmeras limitações como candidato eram ignoradas ou relevadas pelos correligionários. Das rachadinhas às relações com milicianos, passando pela calorosa ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do maior escândalo financeiro da história brasileira, nada parecia ser capaz de constranger os cabos eleitorais do senador, convencidos de que o sobrenome “Bolsonaro” seria suficiente para superar os problemas e consagrá-lo no segundo turno contra Lula.

Agora que as pesquisas indicam uma aparente desidratação de sua candidatura, ficou evidente a incapacidade de Flávio de seduzir o eleitorado para além da base bolsonarista radical. O senador não consegue nem mesmo unir o campo que supostamente o apoia.

Desunião na base e conflitos familiares

Aquí e ali, a imprensa noticia murmúrios de insatisfação de seus aliados com a condução de sua campanha – ora porque Flávio é bolsonarista demais, ora porque é de menos. A bagunça é tanta que foi necessário que Jair Bolsonaro mandasse divulgar uma carta na qual reafirma que seu candidato é Flávio. Ademais, o senador ganhou como poderosa inimiga sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que resolveu sabotá-lo, expondo as vísceras da família para todo o Brasil acompanhar, como num grosseiro reality show. E ainda estamos em julho.

Estratégia de Jair Bolsonaro e o futuro da direita

Talvez nada disso importe para Jair Bolsonaro, cujo dedazo lançou o filho Flávio na fogueira da campanha. O raciocínio do patriarca do clã é óbvio: ter um Bolsonaro na disputa assegura que nenhum outro candidato de direita tomará o espólio bolsonarista, mesmo que Flávio perca a eleição. O eventual sucesso de qualquer outro nome da direita fora da família significaria devolver os Bolsonaros ao subsolo da política miúda, lugar de onde nunca deveriam ter saído.

Por isso, hoje, a candidatura de Flávio se justifica cada vez mais somente nos cálculos estritamente pessoais de Jair Bolsonaro. Ainda que a eleição esteja relativamente distante, e considerando que muitos eleitores deixam para tomar sua decisão às vésperas ou no dia da votação, as pesquisas indicam que Flávio já não é o único candidato da direita com potencial de fazer frente a Lula no segundo turno. Seu maior trunfo na disputa era ser o nome capaz de derrotar o petista, já que suas qualidades pessoais como presidenciável são reconhecidamente inexistentes. Agora, esse trunfo vem perdendo força.

Uma chance para a oposição se libertar dos Bolsonaros

Eis, portanto, uma chance de ouro para que a oposição de direita finalmente se liberte dos Bolsonaros e, antes que seja tarde, se articule para oferecer aos eleitores o melhor dos dois mundos: uma candidatura capaz não só de derrotar Lula, mas também de conduzir o Brasil para uma urgente mudança de rumos, tirando o País do deserto da baixa produtividade, do investimento pífio, da falta de ambição, da polarização política estéril e da acomodação de conveniências privadas em detrimento do interesse público.

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