Crime organizado domina territórios e desafia soberania no Rio
Crime organizado domina territórios e desafia soberania

No Rio de Janeiro, milhões de pessoas vivem sob o domínio do crime organizado, que controla territórios, influencia eleições e impõe regras à população. Uma amiga que mora na favela Rio das Pedras, dominada por milícias, relatou: "Perto de minha casa, apareceu uma cova com 20 mortos. Sempre procuro sair às cinco da manhã para evitar tiroteios, mas, às vezes, precaução não adianta." Em Muzema, comunidade no início da Barra da Tijuca, um homem que empurrava bicicleta na feira disse: "Lá em casa, o tiroteio é quase toda noite: a área é dominada pelo Comando Vermelho."

Controle territorial e influência política

Nos territórios dominados, o crime organizado vende gás, controla transporte alternativo e escolhe meninas para serem suas amantes — o preço da recusa é a morte ou a mudança forçada. O crime também define quais candidatos podem entrar em suas áreas, influenciando a bancada de eleitos, já que controla metade da cidade. A penetração política é evidente: os últimos governadores do Rio foram presos, assim como deputados e um presidente da Assembleia Legislativa.

Políticas insuficientes

Nenhuma das políticas atuais traz esperança real de solução. A PEC da Segurança, parada no Senado, propõe unificar forças federais e estaduais, mas não responde à questão básica da reconquista permanente do território ocupado, fenômeno que já se exportou para o Nordeste. A iniciativa americana de definir grupos como terroristas e partir para guerra de destruição é limitada: eliminar um grupo dará lugar a outro enquanto as condições político-sociais prevalecerem.

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Combate ineficaz e falta de Estado

O combate e a morte de criminosos servem apenas para atenuar a sensação de ineficácia pública. O verdadeiro projeto — presença do Estado com serviços essenciais — nunca aparece. A falta de dinheiro e pessoal impede a liberação permanente das áreas ocupadas. "Se não há dinheiro em orçamentos tão generosos como o brasileiro, então não há solução", observa o autor.

Guerra assimétrica e domínio tecnológico

Sem soberania nacional sobre os territórios, o Brasil fica reduzido a uma guerra assimétrica, desfavorável ao lado mais forte. Os grupos criminosos obtêm armamentos modernos, se empossam da tecnologia e já estão em plena guerra de drones. Especialistas sugerem ir atrás do dinheiro do crime organizado para enfraquecê-lo, mas o crime produz rendimento pela exploração do território — venda de gás, transporte alternativo, taxas de segurança — que às vezes rende mais que o tráfico de drogas.

Comparação internacional e clamor popular

Os Estados Unidos optaram pela guerra para evitar que a droga entre em seu território, bombardeando barcos no Pacífico e no Caribe, mas essa estratégia não ataca o verdadeiro problema no Brasil. Com inteligência, é possível reduzir o trânsito de drogas, mas ignorar o clamor de milhões que querem andar livres, proteger suas filhas e conversar com candidatos sem licença para entrar na favela é fugir da realidade. "Alguma coisa está errada e muitos só vão perceber quando ouvirem o barulho dos tiros ou o domínio territorial do crime chegar às suas cidades."

Apelo aos candidatos

Candidatos à Presidência e aos governos estaduais deveriam ser questionados seriamente sobre a liberação territorial no Brasil, ao menos por solidariedade aos milhões de oprimidos.

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