Copa do Mundo e planejamento patrimonial: lições do futebol
Copa do Mundo e planejamento patrimonial: lições do futebol

A cada quatro anos, o Brasil para para a Copa do Mundo. Álbum de figurinhas, bares movimentados, churrascos e discussões sobre escalação tomam conta do país. Para o advogado especialista em planejamento patrimonial, as lições do futebol se aplicam diretamente à gestão de bens familiares.

Escalação que ninguém vê

Nenhum técnico vence com onze craques jogando cada um para o seu lado. Ganha quem monta um time coeso, com funções claras. No planejamento familiar, o erro comum é contratar 'craques' avulsos: abrir holding porque o vizinho abriu, fazer testamento às pressas, contratar seguro de vida esquecido. Cada peça pode ser excelente, mas sem um plano que as integre, descobrem-se três instrumentos disputando a mesma posição, enquanto o gol fica escancarado. Patrimônio bem cuidado não é coleção de bons jogadores; é escalação.

Título se ganha na defesa

O atacante leva a manchete, mas a defesa segura o resultado. No planejamento patrimonial, a defesa chama-se proteção, organização, estruturação. Antes de viajar, ninguém sai de casa deixando tudo aberto; por que, então, tantos deixam o patrimônio desprotegido? Proteger o que se construiu não é pessimismo; é o básico. A vida é imprevisível, e ninguém quer decidir nos pênaltis.

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Ninguém quer decidir nos pênaltis

Decisão por pênaltis é loteria. Sucessão sem planejamento é o mesmo: a família é empurrada para disputa no pior cenário, com emocional abalado e desfecho entregue à sorte. Planejar é resolver o jogo no tempo normal, com calma. Quase todo litígio sucessório feio começa com a frase: 'a gente ia organizar isso, mas não deu tempo'.

O intervalo e as pausas para hidratação

As férias são o intervalo no calendário familiar. Casa cheia, ritmo lento, momento para conversas que a correria não permite: o que cada um tem, o que quer proteger, quem cuida de quê. O segundo tempo do novo sistema tributário está prestes a entrar em campo; melhor aproveitar a pausa para rever o plano. Quem deixar para depois pode descobrir que o adversário tributário já abriu o placar.

Este artigo não é um convite para transformar a final em reunião de planejamento sucessório. É um lembrete de que o jogo mais importante da família não se decide no improviso. Decide-se na escalação cuidadosa, na defesa sem alarde, na recusa de entregar o futuro à loteria dos pênaltis. A taça vai para quem se preparou antes do apito inicial. Com o patrimônio, não é diferente.

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