Clima de 'nem-nem' domina eleições 2026 com desilusão dupla
Clima de 'nem-nem' domina eleições 2026

Conforme publicado na Coluna do Estadão (9/7, A2), a recente pesquisa Meio/Ideia revela um sentimento de dupla desilusão na política brasileira, caracterizado por um clima de “nem-nem”: nem o atual governo empolga o suficiente para garantir a recondução de Lula da Silva (PT) à Presidência, nem Flávio Bolsonaro (PL) se consolida como uma alternativa confortável. Deveríamos aproveitar esse sentimento para o PSD e/ou outros partidos tentarem se fortalecer na articulação de uma tão esperada terceira via.

Alternativa de centro-direita

Essa alternativa precisaria ser forte o suficiente para agregar votos e ter condições de vencer tanto o desgoverno atual quanto as pretensões da família Bolsonaro, que, pelos atos dos filhos 01 e 02 junto ao imaginário amigo Donald Trump, “desserve o Brasil”. Em vez de explorarem rejeições e estimularem rancores com denúncias de todos os lados que atendem apenas a ambições eleitoreiras, os partidos políticos deveriam aproveitar este momento de conflagração do País para apresentar um caminho alternativo de centro-direita.

Falta de propostas concretas

Estamos a três meses das eleições e continuamos com a estratégia política baseada na polarização do “nós ou eles”. É espantoso e lamentável assistirmos aos atuais pré-candidatos à Presidência sem propostas concretas para enfrentarem os maiores problemas nacionais, como as contas públicas, a segurança, a educação, a saúde, a infraestrutura, a política externa e o meio ambiente. Em vez de pensarem nos problemas coletivos, eles só atendem às suas próprias ambições. Devemos trabalhar na união das candidaturas ou junto àqueles que pensam em desenvolver um auspicioso plano de governo para um futuro melhor.

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Paradoxo da reeleição

Ganhar uma eleição contra quem está no poder nunca foi tarefa fácil. Até Dilma Rousseff, cuja gestão foi marcada por grave crise econômica e política, conseguiu se reeleger em 2014. O único presidente da República que disputou a reeleição e acabou derrotado, desde a instituição desse mecanismo em 1997, foi Jair Bolsonaro. Também pudera. O então incumbente passou boa parte do mandato atirando no próprio pé. Esse favoritismo decorre, em grande medida, do uso indevido da máquina pública em benefício eleitoral.

Atuação do TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão que deveria fiscalizar o cumprimento da legislação, por vezes é acusado de agir com excessiva leniência. E, quando atua, limita-se a aplicar multas irrisórias, o que faz o custo-benefício compensar para o candidato infrator. Há, contudo, um dado que parece desafiar a lógica eleitoral. Lula aparece entre os pré-candidatos com os maiores índices de rejeição, reflexo, é óbvio, dos resultados desfavoráveis de seu governo, como juros elevados, alto endividamento das famílias, crescimento da dívida pública e dificuldades na educação e na segurança pública. Ainda assim, aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República.

Lei eleitoral e críticas

Quando considera uma “papagaiada desgraçada” as restrições da legislação eleitoral, o presidente Lula demonstra que, quando não lhe interessa pessoalmente, a legislação não deve ser levada a sério. As ideias totalitárias do presidente representam um grande perigo para a democracia brasileira, segundo o leitor Paulo Cesar Rivetti, de São Paulo.

Redução da maioridade penal

Há mais de 30 anos, o Congresso Nacional discute a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos sem oferecer uma resposta definitiva à sociedade. Agora, com a nova PEC admitida pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, cresce a expectativa de que o tema finalmente seja apreciado pelo Legislativo. Enquanto o debate se prolonga, organizações criminosas continuam aliciando adolescentes, aproveitando-se do tratamento jurídico diferenciado previsto na legislação.

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Caso Ronaldo Caiado

O caso envolvendo o ex-governador de Goiás e presidenciável pelo PSD, Ronaldo Caiado, parece ter recebido a devida atenção do Poder Judiciário. Em decisão liminar, a Justiça entendeu haver exagero no número de oficiais designados para sua segurança e determinou, de imediato, a redução da escolta para quatro policiais. A Justiça determinou, provisoriamente, a redução da escolta. Embora a liminar possa ser revertida posteriormente, o fato de o Judiciário precisar intervir para restabelecer o óbvio sinaliza o quanto nossa cultura política ainda resiste à impessoalidade e à moralidade administrativa, segundo Willian Martins, de Guararema.

STF sob críticas

Órgão máximo do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) é alvo de severas críticas por parte da sociedade brasileira. Além disso, vem se tornando tristemente conhecido internacionalmente ao receber respostas negativas de cortes estrangeiras a pedidos de extradição ao Brasil de condenados pelo colegiado nacional, não porque tenham repentinamente se transformado em inocentes, mas pela maneira, estranha aos mais fundamentais preceitos da prática do Direito, com que as punições foram impostas por aqui. Ademais, suas surpreendentes e desconcertantes decisões exibem a incapacidade de operar dentro de limites aceitáveis de coerência e de inspirar, como qualquer tribunal superior que se preze, respeito por sua imparcialidade nas deliberações.

Fim da escala 6x1

Em um país onde oito em cada dez empresas já enfrentam dificuldades para preencher vagas, discutir o fim da escala 6x1 sem antes enfrentar a baixa produtividade, a falta de qualificação e a escassez de mão de obra parece inverter prioridades. Se a medida elevar os custos das empresas, é natural que parte deles seja repassada aos preços, pressionando a inflação e afetando justamente quem se pretende beneficiar, segundo Izabel Avallone, de São Paulo.

Lição de civismo de Cabo Verde

Parabéns aos atletas da seleção de Cabo Verde pela lição de civismo que deram ao mundo. Humildes e admirados por todos, vieram de um arquipélago de aproximadamente 550 mil habitantes para serem reconhecidos como exemplos de garra e humildade. Esse elenco nos emocionou e, além de mostrar ao mundo o que é Cabo Verde, tornou-se o xodó dos torcedores. Foi emocionante ver um time até então desconhecido entrar em uma arena repleta de feras e enfrentá-las à sua maneira, com eficiência e determinação.

Interferência política no esporte

A interferência política em uma decisão estritamente técnica da arbitragem esportiva, ao se pleitear a revogação de um cartão vermelho aplicado por um árbitro no exercício legítimo de sua função, representa um episódio profundamente lamentável. Trata-se de uma afronta à autonomia das instituições esportivas, à independência da arbitragem e aos princípios da isonomia que devem reger qualquer competição internacional.

Incentivo à leitura

Sempre ressalto que, em qualquer iniciativa, o mais difícil é saber por onde começar. Primeiro, faço uma analogia com a participação e o envolvimento de toda a sociedade brasileira com o futebol, especialmente durante a Copa do Mundo. Assim como nesse período, ruas, praças e estabelecimentos comerciais poderiam receber pinturas com nomes de livros, frases de escritores famosos, períodos e estilos literários. A própria história da escrita poderia fazer parte dessas pinturas, que deveriam tomar conta das cidades brasileiras.