Carta de Bolsonaro a Flávio cobra unidade e ignora Michelle
Carta de Bolsonaro a Flávio cobra unidade e ignora Michelle

Em meio a tensões internas no bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta manuscrita do ex-presidente Jair Bolsonaro na qual o ex-chefe do Executivo pede unidade em torno de sua pré-candidatura à Presidência em 2026. O documento, escrito de próprio punho por Bolsonaro, não faz qualquer menção à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em um contexto de crise entre o casal.

Conteúdo da carta e contexto político

A carta, datada de 9 de julho de 2026, foi lida por Flávio durante um evento em Brasília. No texto, Bolsonaro afirma que “o momento exige união de todos os que acreditam no Brasil” e que “não há espaço para divisões ou boicotes”. O ex-presidente também critica as tarifas estrangeiras impostas pelo governo Lula, classificando-as como “nocivas à economia nacional”.

Flávio, ao exibir o documento, declarou: “Meu pai me confiou a missão de dar continuidade ao seu legado. Esta carta mostra que estamos juntos, e que aqueles que tentam nos separar estão errados.” O senador usou a carta para rebater supostos boicotes internos no Partido Liberal, onde alguns setores questionam sua viabilidade eleitoral.

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Ausência de Michelle e crise familiar

A ausência do nome de Michelle na carta é significativa. Nos últimos dias, veicularam-se rumores de um distanciamento entre o ex-presidente e a ex-primeira-dama, que teria demonstrado insatisfação com a condução política de Flávio. Fontes próximas ao casal afirmam que Michelle não participou da elaboração do documento e que sua omissão foi deliberada para evitar conflitos públicos.

Especialistas apontam que a carta busca fortalecer Flávio como o principal herdeiro político de Bolsonaro, em meio a especulações de que Michelle poderia lançar sua própria candidatura. “Ao ignorar Michelle, Bolsonaro sinaliza que o projeto político é de Flávio, e não dela”, analisa o cientista político Carlos Melo, da USP.

Impacto no PL e nas eleições de 2026

A divulgação da carta ocorre em um momento de reorganização do PL, que tenta consolidar alianças para 2026. Flávio, que enfrenta resistência de alas do partido, usou o documento para cobrar lealdade. Em seu discurso, ele afirmou: “Quem está com o bolsonarismo está comigo. Não aceitaremos traições.”

A pré-candidatura de Flávio, no entanto, ainda enfrenta desafios. Pesquisas internas mostram que seu nome tem rejeição elevada, especialmente entre eleitores moderados. A carta de Bolsonaro pode ajudar a unificar a base, mas não resolve as fragilidades eleitorais do senador.

A oposição, por sua vez, reagiu com ironia. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse: “Uma carta não muda o fato de que Flávio é investigado por diversos crimes. O povo brasileiro não é bobo.”

Próximos passos

Flávio planeja uma série de viagens pelo país para apresentar a carta e consolidar apoios. O senador também deve participar de eventos do PL nos estados. A expectativa é que a carta seja usada como instrumento de pressão sobre prefeitos e deputados que ainda não declararam apoio formal à sua candidatura.

Enquanto isso, Michelle Bolsonaro mantém silêncio público. Assessores afirmam que ela está focada em projetos sociais e não pretende se pronunciar sobre a carta. O silêncio, no entanto, alimenta especulações sobre uma possível ruptura política no clã Bolsonaro.

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