Carreiras em camadas: executivas defendem rotas não lineares no Fin4She Summit
Carreiras em camadas: rotas não lineares no Fin4She Summit

Carreiras não precisam ser construídas de forma linear. Nesta terça-feira (2), durante o Fin4She Summit, executivas explicaram como o desenvolvimento profissional pode ser marcado por mudanças de rota e até períodos de transição. Este foi o tema central do painel “Carreiras em camadas: como líderes estão reconfigurando poder em tempos de transição”.

Carreira em blocos e rotas laterais

Aline Zimermann, sócia-fundadora da Weplace, lida diretamente com o tema e ajuda profissionais a repensarem as próprias trajetórias. “Uma carreira pode ser construída em blocos, mas esses blocos não precisam se sobrepor. Eles podem ser laterais, as rotas podem ser mudadas”, destacou, na abertura do painel.

Quem trilhou uma carreira diversificada foi Aline Penna, CEO da marca de luxo Tania Bulhões. A executiva trabalhou por 15 anos no setor financeiro e depois migrou para grandes empresas, acumulando passagens por Arezzo e Petz. Penna considera que as habilidades adquiridas nos primeiros empregos, nas conversas com CEOs e CFOs (diretores financeiros), ajudaram posteriormente no trabalho corporativo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Ao longo do percurso, ela vivenciou os “dois lados da moeda” do mundo dos negócios. Primeiro, trabalhou em bancos envolvidos em processos de fusões e aquisições. Depois, passou a atuar em empresas que vivenciaram essas operações.

Antes de assumir o cargo de CEO na Tânia Bulhões, em março deste ano, a executiva foi conselheira da empresa. No decorrer de sua trajetória profissional, ela afirma ter tido que “equilibrar pratos”. “Alguma vezes, eu conseguia me dedicar mais aos conselhos, outras vezes conseguia me dedicar mais à minha família. Não romantizem as rotinas”, destacou.

Trajetória da química ao comando de grandes grupos

Outra profissional que seguiu uma carreira em blocos foi Ana Karina Bortoni. Formada em química, a executiva trabalhou por 19 anos na consultoria McKinsey. Em 2020, assumiu o posto de CEO do Banco Bmg, onde ficou por quatro anos. Ao final de 2024, foi anunciada como CEO do Grupo Silvio Santos, cargo que ocupa atualmente. Ao assumir o comando do Bmg, Bortoni relata ter ouvido questionamentos sobre sua formação acadêmica. Na avaliação dela, trata-se de um tipo de dúvida que dificilmente seria direcionada a homens em posição semelhante. “Muitos CEOs de bancos são formados em engenharia, e a base de formação de engenharia e química tem matérias em comum”, observou.

No Grupo Silvio Santos, o desafio tem sido conectar empresas consolidadas às transformações do mercado atual. O conglomerado reúne marcas como SBT, Jequiti, Tele Sena e Hotel Jequitimar. “É um grupo moderno, mas que precisa se conectar com o mundo atual. O desafio é aproveitar a essência do grupo e o trazer para outras possibilidades”, disse.

Processo de transformação no Bradesco

Se as carreiras estão cada vez mais abertas a mudanças e novas combinações de experiências, as empresas também têm passado por processos de transformação. Segundo Silvana Machado, diretora executiva de pessoas e sustentabilidade do Bradesco, esse movimento tem sido praticado pelo banco.

Ela explicou que, historicamente, o banco tinha uma cultura de formação interna de lideranças. Muitos profissionais ingressavam como estagiários e construíam toda a carreira dentro da organização. Esse modelo começou a mudar com a chegada de Marcelo Noronha à presidência do banco, em novembro de 2023. Desde então, a instituição vem ampliando a contratação de executivos vindos do mercado, propondo novas perspectivas para os negócios. “Esse processo traz uma oxigenação para a empresa”, afirmou Machado, destacando que a mudança tem acelerado a transformação cultural da organização.

Ao mesmo tempo, ela ressaltou que os profissionais formados internamente carregam uma “bagagem” sobre a companhia, entendendo o que funciona e o que não funciona dentro da estrutura do banco. O desafio atual, segundo a executiva, é justamente integrar esses dois perfis profissionais. “Estamos aprendendo a trabalhar juntos. Não era algo que a organização sabia fazer”, concluiu.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar