A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve limitar o uso de inteligência artificial (IA) em materiais eleitorais, especialmente naquelas peças em que o presidente aparece. A decisão, tomada nos bastidores, visa criar um contraponto ao uso frequente da tecnologia por Flávio Bolsonaro, candidato adversário. A intenção é destacar Lula como um candidato real e autêntico, além de alertar sobre os riscos da desinformação gerada por IA.
Estratégia de diferenciação
Segundo integrantes da campanha, a medida busca reforçar a imagem de Lula como um político próximo do povo, em oposição ao que chamam de "artificialidade" dos adversários. "Queremos mostrar que Lula é real, não um produto de laboratório", afirmou um coordenador de comunicação, sob condição de anonimato. A campanha afirma que evitará o uso de IA especialmente em vídeos e fotos com a presença do presidente, priorizando registros autênticos.
Uso de IA pelo PT
Apesar da restrição, o Partido dos Trabalhadores já utilizou IA em vídeos críticos ao Congresso Nacional. Em uma peça recente, imagens geradas por computador foram usadas para ilustrar supostas falhas legislativas. A prática gerou críticas de adversários, que apontaram hipocrisia. A campanha de Lula, no entanto, argumenta que o uso foi pontual e não envolve a imagem do presidente.
Críticas de Lula à IA
O próprio Lula já se manifestou contra o uso indiscriminado de IA em campanhas. Em discurso recente, afirmou: "Não precisamos de inteligência artificial para falar com o povo. Precisamos de verdade e compromisso". A declaração foi interpretada como uma crítica direta a Flávio Bolsonaro, que frequentemente utiliza ferramentas de IA para criar conteúdos virais.
Plataforma Porta-Vozes do Lula
Para fortalecer a presença nas redes sociais, a campanha lançou a plataforma "Porta-Vozes do Lula", que incentiva apoiadores a produzirem conteúdo orgânico. A iniciativa visa contrabalançar o uso de IA por adversários sem recorrer à mesma tecnologia. Até o momento, mais de 10 mil voluntários se inscreveram.
Ações judiciais contra Flávio
O uso de IA por Flávio Bolsonaro já gerou ações judiciais. Em junho, a Justiça Eleitoral determinou a remoção de um vídeo que utilizava deepfake para distorcer falas de Lula. A campanha de Lula comemorou a decisão e prometeu monitorar novos casos. "Não vamos permitir que a desinformação tome conta do processo eleitoral", disse um advogado da coligação.
Impacto na campanha
A estratégia de limitar a IA pode ter impacto na eficiência da campanha, mas a equipe de Lula aposta na autenticidade como diferencial. Pesquisas internas indicam que eleitores valorizam a transparência e rejeitam conteúdos artificiais. Resta saber se a medida será suficiente para conter o avanço da desinformação nas eleições de 2026.



