Boulos diz que eleição será Lula contra bolsonarismo e ambições colonialistas de Trump
Boulos: eleição será Lula contra bolsonarismo e colonialismo de Trump

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (23) que a eleição de 2026 será um confronto direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo, que, segundo ele, está alinhado com as ambições colonialistas do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. A declaração foi feita durante evento em São Paulo, onde Boulos reforçou a necessidade de união das forças progressistas para derrotar o que chamou de "extrema-direita global".

Boulos critica aliança de Bolsonaro com Trump

Boulos destacou que o bolsonarismo não é um fenômeno isolado, mas parte de uma rede internacional de movimentos de extrema-direita que têm em Trump um de seus principais expoentes. "O que vemos é uma aliança explícita entre o bolsonarismo e as ambições colonialistas de Trump, que querem impor ao Brasil e à América Latina um modelo de submissão aos interesses dos Estados Unidos", declarou. O pré-candidato citou a recente visita de Jair Bolsonaro a Trump nos EUA como prova dessa aproximação.

Disputa polarizada em 2026

Para Boulos, a polarização entre Lula e Bolsonaro deve se repetir em 2026, mas com um componente internacional ainda mais forte. "Não se trata apenas de uma disputa entre dois projetos nacionais, mas de uma escolha entre o Brasil soberano e o Brasil subordinado aos interesses imperialistas", afirmou. Ele também criticou a política externa do governo Bolsonaro, que, segundo ele, isolou o Brasil no cenário global e enfraqueceu sua posição em organismos multilaterais.

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Boulos defendeu que a campanha de Lula precisa incorporar uma mensagem antimperialista clara, capaz de mobilizar a base progressista e os setores populares. "Precisamos mostrar que a vitória de Lula é a vitória do povo brasileiro contra a exploração estrangeira e a desigualdade interna", completou.

Reações e análises

As declarações de Boulos geraram reações imediatas de aliados e opositores. O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, elogiou a postura do pré-candidato e disse que o partido está "totalmente alinhado" com a estratégia de enfrentamento ao bolsonarismo e ao trumpismo. Por outro lado, deputados bolsonaristas classificaram as falas de Boulos como "retórica radical" e "tentativa de desviar o foco dos problemas do governo Lula".

Analistas políticos apontam que a estratégia de Boulos busca consolidar o apoio da esquerda mais radical, mas pode afastar eleitores de centro. "Ele está tentando posicionar o PSOL como o partido mais à esquerda do espectro, o que pode ser eficiente para garantir uma base fiel, mas limita o potencial de crescimento", avaliou o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Contexto internacional

A referência a Trump não é casual. O ex-presidente americano, que busca novamente a candidatura republicana em 2024, tem mantido contato com lideranças conservadoras na América Latina, incluindo Bolsonaro. Em junho, os dois se encontraram em Miami, onde discutiram alianças políticas e estratégias eleitorais. Para Boulos, esse movimento representa uma ameaça à soberania dos países da região.

"A extrema-direita está se organizando globalmente, e o Brasil não pode ser refém desse projeto. A resposta deve ser a união dos povos e dos governos progressistas", concluiu Boulos, que também defendeu maior integração latino-americana para fazer frente ao que chamou de "novo colonialismo".

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