O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (23) a ata de sua última reunião, realizada na semana passada, quando cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano. O documento reforça o discurso de que o ambiente de expectativas desancoradas exige restrição monetária maior e por mais tempo.
Desancoragem das expectativas e riscos assimétricos
Segundo a ata, desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028. O Comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista.
O documento destaca que a principal conclusão obtida, compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.
Atividade econômica e inflação aceleram
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano. O BC destaca que, nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura.
O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia.
Comunicação dovish e reação do mercado
Na semana passada, o BC cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, adotando um discurso considerado 'dovish' em seu comunicado, o que gerou forte reação negativa dos investidores. A leitura foi de que o BC preparou o terreno para novo corte de 25 pontos em agosto, ainda que as expectativas de inflação estejam piorando. Parte do mercado esperava que o Copom corrigisse sua comunicação na ata.
Na véspera, a pesquisa Focus do BC mostrou que a projeção para a taxa Selic no fim deste ano foi de 13,75% para 14,00%, com os especialistas esperando apenas mais um corte em agosto.
Mercados internacionais e petróleo
No exterior, as expectativas de aumentos iminentes da taxa de juros pelo Federal Reserve e as preocupações com o aumento dos gastos corporativos em inteligência artificial afetavam o sentimento. Os futuros do petróleo Brent caíram ligeiramente para abaixo de US$ 76 por barril pela primeira vez desde o início de março.
Os investidores também monitoram as tensões entre EUA e Irã, que voltaram a aumentar no final de semana, quando os iranianos avisaram que fecharam novamente o Estreito de Ormuz. No entanto, imagens de governos dos EUA e do Irã trocando apertos de mão e sorrisos em encontro na Europa acalmaram os ânimos.
Fechamento dos mercados
O Ibovespa terminou ontem com alta de 1,21%, aos 170.370,38 pontos, com volume de R$ 23,90 bilhões. O dólar comercial fechou em baixa de 0,46%, cotado a R$ 5,141 na venda.
Em Nova York, os principais índices fecharam de forma mista: Dow Jones subiu 0,29%, S&P 500 caiu 0,37% e Nasdaq recuou 1,33%, pressionado por ações de tecnologia.



