Aprovação de Lula supera desaprovação pela 1ª vez desde 2024
Aprovação de Lula supera desaprovação pela 1ª vez desde 2024

Pela primeira vez desde julho de 2024, a aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva superou numericamente a desaprovação, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (15). O levantamento aponta que 50% dos entrevistados aprovam a gestão, contra 48% que desaprovam – uma diferença de dois pontos percentuais dentro da margem de erro, de 2,2 pontos para mais ou para menos.

Evolução dos índices de aprovação

Na pesquisa anterior, de junho, a aprovação era de 49% e a desaprovação, 49%, configurando empate técnico. Em maio, os números eram 48% de aprovação e 49% de desaprovação. A virada ocorre após um período de queda na popularidade do governo, que atingiu o pior índice em fevereiro de 2025, com 44% de aprovação e 53% de desaprovação.

O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, com 2.000 entrevistas presenciais em 120 municípios brasileiros. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%.

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Avaliação por áreas e perfil do eleitorado

O presidente Lula é mais bem avaliado entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos (55% de aprovação), no Nordeste (63%), entre os que estudaram até o ensino fundamental (58%) e entre mulheres (52%). Já a desaprovação é maior entre eleitores com renda acima de cinco salários mínimos (59%), no Sul (57%), entre os que têm ensino superior (58%) e entre homens (52%).

Na avaliação por áreas, a saúde é o principal problema apontado por 28% dos entrevistados, seguida por economia (22%), segurança pública (18%) e educação (12%). A pesquisa também mostra que 54% dos brasileiros acreditam que a economia vai melhorar nos próximos meses, enquanto 36% acham que vai piorar.

Reações e perspectivas

“O dado positivo para o governo é que a aprovação supera a desaprovação pela primeira vez em um ano, o que pode ser reflexo de melhora na percepção econômica”, afirmou Felipe Nunes, diretor da Quaest. “No entanto, a diferença ainda é pequena e dentro da margem de erro, indicando que a opinião pública continua muito dividida.”

O governo comemorou os números. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência destacou que “a pesquisa mostra que as políticas públicas implementadas estão gerando resultados concretos para a população brasileira, especialmente nas áreas social e econômica”.

A oposição, por sua vez, minimizou o resultado. O líder da minoria na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que “a margem de erro indica que, na prática, há empate técnico, e o governo continua com rejeição elevada, especialmente entre os mais escolarizados e de maior renda”.

Contexto político e econômico

A pesquisa ocorre em meio a um cenário de melhora de indicadores econômicos. O PIB cresceu 0,8% no primeiro trimestre de 2025, a inflação está em trajetória de queda (3,9% nos últimos 12 meses) e o desemprego recuou para 7,5%. O governo também tem apostado em medidas de estímulo ao consumo e programas sociais, como o novo Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.

Para o analista político Carlos Melo, do Insper, “a aprovação de Lula ainda é volátil e depende da manutenção da melhora econômica. Se a inflação continuar caindo e o emprego crescer, é possível que a aprovação se consolide acima da desaprovação. Caso contrário, a tendência pode se reverter.”

A pesquisa Genial/Quaest é uma das mais aguardadas do cenário político e serve como termômetro para as eleições municipais de 2026 e a sucessão presidencial de 2026. Lula ainda não confirmou se será candidato à reeleição, mas os números de aprovação são vistos como fundamentais para sua estratégia política.

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